Professor cria cálculo contra a enchente

Sistema criado por oceanógrafo com base no monitoramento dos rios permitiu a retirada das[br]famílias antes da cheia

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2011 | 00h00

ITAJAÍ

João Luiz de Carvalho decidiu ser oceanógrafo aos 16 anos. "Era um idealista", define-se. O carioca queria estudar o mar e não se imaginava, três décadas depois, monitorando as enchentes de Santa Catarina. Hoje, ele é o representante da Universidade do Vale do Itajaí no Conselho de Defesa Civil, criado depois das enchentes de 2008.  

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É ele quem interpreta os dados de um sistema de telemetria que mede as águas dos rios em oito estações de Itajaí. "Me pediram um modelo matemático para interpretar os dados em tempo real, mas isso não era possível." Isso quer dizer que já é viável prever que haverá inundação, mas não saber seu tamanho.

Foi com base nas previsões de Carvalho e sua equipe que o Conselho de Defesa Civil se reuniu na manhã do dia 8 para acionar a operação que retiraria as famílias de suas casas antes de as ruas encherem. "O modelo que usamos foi o da experiência, já que estudo as enchentes há três anos." Com informações da Defesa Civil das cidades afetadas no Alto Vale, Carvalho pôde calcular quanto tempo a água levaria para chegar a Itajaí.

"Quando soubemos que em Brusque o nível da água estava 2 metros acima do de 2008, nos assustamos." A cheia não veio com a violência esperada. "Neste ano, tivemos 60% da cidade atingida. Daquela vez, foi 80%." Segundo ele, o estrago não foi maior por conta da dragagem do Itajaí-Açu e do porto de Itajaí.

"Agora temos os números dessa enchente para finalmente fazermos o modelo matemático que queríamos. É o que nos ajudará das próximas vezes." O professor quer o modelo usado amplamente para evitar tragédias como a de Santa Catarina. É um idealista com resultados.

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