Procuradores federais devem se manifestar sobre acidente

A própria Infraero admite as deficiências existentes na pista principal de Congonhas

Fausto Macedo e Ricardo Brandt, do Estadão,

18 de julho de 2007 | 05h55

Os procuradores federais de São Paulo devem se manifestar nesta quarta-feira, 18, sobre o acidente que envolveu um Airbus da TAM, com 176 passageiros. A tragédia anunciada de Congonhas sob chuva foi alvo de sucessivas advertências do Ministério Público Federal (MPF).  Veja também:O local do acidenteOs piores desastres aéreos do BrasilConheça o Airbus A320Galeria de fotos Assista a vídeos feitos no local do acidente Conte o que você viu e o que você sabe; opine  Eles vão aguardar informações oficiais sobre as causas do choque do Airbus para depois decidir como proceder. Na ação judicial, o Ministério Público Federal pedia suspensão de todas as operações até conclusão da reforma da pista, "que coloca em risco a vida de passageiros, tripulantes e moradores do entorno do aeroporto em virtude de constante derrapagens causadas por um sistema de drenagem ineficiente da pista". Em janeiro, procuradores da República foram à Justiça para obrigar a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Infraero a executarem a imediata interdição da pista principal do aeroporto, que, em 2005, registrou 228 mil operações de pousos e decolagens - índice muito superior ao indicado pela Organização de Aviação Civil Internacional, que é de 195 mil/ano.  Na terça-feira, 17, por meio do procurador-geral de Justiça, Rodrigo Pinho, o Ministério Público Estadual (MPE) designou o promotor João Honório de Souza Franco, do Fórum Regional do Jabaquara, para acompanhar as investigações do caso. Os procuradores anotaram que "a própria Infraero admite as deficiências existentes na pista principal de Congonhas, quais sejam nível de atrito insatisfatório, escoamento superficial da água prejudicado gerando lâmina d’água face à deficiência nas declividades transversais e longitudinais da pista". Eles alertaram sobre "a formação de lâmina de água na pista, já que não há escoamento adequado da água da chuva". "Durante qualquer intensidade de chuva e mesmo após a sua cessação há o acúmulo de água que provoca a aquaplanagem das aeronaves. O deslizamento das aeronaves é uma situação gravíssima, porque retira do piloto o controle da aeronave, podendo ensejar acidentes pela impossibilidade de frenagem."

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