Procuradores do MPF querem federalizar os ‘crimes de maio’

Chacinas ocorreram durante os ataques do Primeiro Comando da Capital; 546 pessoas foram assassinadas

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

04 de outubro de 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Um grupo de procuradores do Ministério Público Federal de São Paulo vai enviar depoimentos e inquéritos civis arquivados pela Polícia Civil ao procurador-geral da União para decidir se a série de chacinas ocorridas em maio de 2006, quando 546 pessoas foram assassinadas, deverão ser federalizados - isto é, serem investigados pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal.

“Caso entenda que houve violação de direitos humanos pela impunidade dos responsáveis pelos homicídios, até hoje não encontrados, (o procurador-geral da República, Rodrigo Janot) poderá solicitar que os casos sejam federalizados, ou seja, que passem a ser investigados, processados e julgados junto aos órgãos federais - Polícia Federal, Ministério Público Federal e Justiça Federal”, informa nota do Ministério Público Federal. 

As chacinas ocorreram durante os ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra as forças de segurança do Estado de São Paulo. Dos mais de 500 mortos, 59 eram agentes públicos - policiais civis, militares, bombeiros, guardas-civis da capital e de outras cidades e funcionários de presídios. Os ataques, que pararam São Paulo, aconteceram entre os dias 12 e 21 de maio de 2006. 

Os procuradores Denise Abade, Walter Rothenburg, Anjos Filho e André de Carvalho Ramos fizeram duas reuniões com associações de parentes das vítimas e testemunhas das chacinas. Um dos grupos tinha parentes de três pessoas mortas em chacina no Parque Bristol, zona sul da cidade. Um sobrevivente daquela chacina, um rapaz de 22 anos, acabou sendo executado sete meses depois do crime.

São dois os pedidos de federalização. Um deles refere-se a 14 chacinas ocorridas na Baixada Santista e outro à chacina do Parque Bristol. A Secretaria de Estado da Segurança disse que não iria se manifestar sobre o caso porque não tem conhecimento do procedimento. 


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