Procuradora é presa por torturar a filha e chora

Foragida havia 7 dias, ela encontra-se em cela individual. Defesa diz que vai recorrer

Gabriela Moreira, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2010 | 00h00

Depois de 7 dias foragida, a procuradora aposentada Vera Lúcia Sant" Anna Gomes se entregou à Justiça, ontem, no Fórum do Rio. Acusada de torturar a filha adotiva de 2 anos, ela se emocionou ao ouvir o despacho do juiz com a decretação da prisão. Após passar por exame de corpo de delito, foi levada para o Presídio Nelson Hungria, no complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu, zona oeste.

Segundo seu advogado, Jair Leite Pereira, ela ficará numa cela individual, numa ala destinada a presos com direito a prisão especial. De acordo com Pereira, durante o tempo em que esteve foragida Vera Lúcia se hospedou na casa de amigos, no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio. "Ela ainda tinha esperança de ter a prisão revogada", disse o defensor que, ontem, teve mais um pedido de habeas corpus negado. Na sexta-feira, a liminar de outro pedido de revogação de prisão já havia sido indeferida.

O advogado afirmou que vai recorrer da decisão e, caso a liberdade seja negada, vai ingressar com pedido de prisão domiciliar. Vera Lúcia mora num amplo apartamento em Ipanema (zona sul), na quadra da praia. "Ela tem 66 anos e só poderia gozar desse benefício aos 70, mas as circunstâncias da prisão e toda a comoção criada me fazem pedir a prisão domiciliar mesmo assim", explicou Jair Leite.

Isenção. Para o juiz titular da 32.ª Vara Criminal, Guilherme Schilling Pollo Duarte, o contexto que motivou a decretação da preventiva da procuradora permanece. No despacho em que negou o habeas corpus, o magistrado afirmou que a prisão é necessária para que seja garantida uma "isenta colheita de provas".

Susto. Vestida com calça de moletom cor de rosa, um turbante da mesma cor escondendo os cabelos e usando óculos escuros, a procuradora se assustou com repórteres e curiosos que a acompanharam pelos corredores do Fórum. "Não precisa atropelar", disse aos jornalistas, por volta das 12h15, quando se apresentou. Antes de ser levada para o presídio, que tem capacidade para 432 presas, Vera Lúcia pediu ao advogado para comprar roupa de cama e banho e acessórios de higiene. "Cadê as minhas sacolas. Por favor, peguem as minhas sacolas com as minhas coisas", pediu a procuradora, dentro do camburão.

Vítima. A menina de 2 anos que Vera Lúcia é acusada de ter agredido e torturado está sob os cuidados de psicólogos e terapeutas, num abrigo, na zona sul. Ela ficará sob os cuidados dos especialistas até ser submetida a novo processo de adoção.

CRONOLOGIA

Denúncia foi de ex-funcionárias

Março de 2010

Vera Lúcia recebe guarda provisória da menina. Ex-funcionárias da procuradora dizem que agressões começaram no dia seguinte. Por isso, denunciaram o caso

14 de abril

Conselho Tutelar encontra a menina com hematomas

4 de maio

Cinco dias depois de Vera Lúcia ser indiciada por tortura, MP pede sua prisão

13 de maio

Vera se entrega e é presa

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.