Procuradora do INSS é morta a facadas em Minas Gerais

Ex-marido de Ana Alice fugiu após crime em mansão em Nova Lima; vítima havia denunciado ameaça à polícia

MARCELO PORTELA, BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2012 | 03h04

A polícia mineira procura o empresário Djalma Brugnara Veloso, de 49 anos, acusado de matar a ex-mulher, a procuradora do INSS Ana Alice Moreira de Melo, de 35. O crime foi na madrugada de ontem, na mansão da vítima, em um condomínio em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte. Ana Alice morava com os dois filhos do casal, que estava em processo de divórcio.

Ana Alice, que trabalhava na Advocacia-Geral da União (AGU) e estava lotada na Procuradoria Federal em Minas, havia registrado queixa contra o ex-marido no dia 24, alegando que ele havia ameaçado matá-la. Ao saber do registro da ocorrência, Veloso voltou à casa por volta das 20h30 para tirar satisfações.

A discussão transformou-se em briga, que se estendeu até a madrugada. A babá dos dois filhos do casal contou à polícia que, assustada, trancou-se no banheiro com os meninos, de 2 e 4 anos. Ela disse que ouviu muitos gritos e depois, com a casa já em silêncio, saiu do banheiro e encontrou Ana Alice caída no quarto com várias facadas no corpo.

As Polícias Rodoviárias Federal e Estadual e os aeroportos de Minas foram informados sobre o assassinato. Ao sair da casa após o crime, por volta das 4h, Veloso levou seu passaporte.

Proteção. Segundo a delegada Renata Fagundes, responsável pelo inquérito, ao registrar a ocorrência contra o marido, Ana Alice também pediu proteção. A vítima queria que o empresário fosse proibido de se aproximar dela. Ontem, ninguém foi encontrado no Fórum de Nova Lima para falar sobre o caso.

A Secretaria de Políticas para Mulheres encaminhou ontem ofício ao governo mineiro, solicitando a apuração rigorosa do caso. A secretária de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Aparecida Gonçalves, quer saber se houve omissão do Estado. Em nota, a Procuradoria-Geral Federal lamentou a morte de Ana Alice e afirmou que "serão tomadas todas as medidas necessárias, de sua alçada, para que o assassino seja condenado".

Mestre em Direito Ambiental, Ana Alice era procuradora desde 2002 e já havia atuado também no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). / COLABOROU ALANA RIZZO

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