Procurador é preso em SP por quebra de segredo de Justiça

Além do procurador da Fazenda Sérgio Gomes Ayala, empresário e advogado estariam envolvidos no esquema

Bruno Tavares e Fausto Macedo, do Estadão

13 de julho de 2007 | 08h48

Mais de 50 dias após deflagrar a Operação Têmis, a Polícia Federal fez as primeiras prisões dos envolvidos no suposto esquema de vendas judiciais em São Paulo na quinta-feira, 12. O advogado Luís Roberto Pardo, o empresário Sidney Ribeiro e o procurador da Fazenda Nacional Sérgio Gomes Ayala foram detidos sob acusação de quebra de segredo de Justiça. Ribeiro também responde pelo crime de corrupção ativa.A prisão preventiva foi decretada pela juíza Mônica Bonavina, da 9ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Em seu despacho, a magistrada alegou "garantia da ordem pública e imprescindibilidade do andamento processual".Na denúncia oferecida em maio pelo Ministério Público Federal (MPF) também são citados o escrivão João Avelares Ferreira Varandas, o policial civil Celso Pereira de Almeida, o Xuxinha, e o analista de averiguações Washington Gonçalves Rodrigues, funcionário da Telefônica.Apontado como o principal lobista da organização, Pardo estava em seu apartamento quando foi surpreendido pelos federais, às 6h30. As demais prisões ocorreram simultaneamente. Embora a juíza tenha determinado que ele e o procurador da Fazenda fossem levados para uma sala do Estado Maior - prisão especial a que advogados têm direto -, os dois ficaram detidos na Superintendência da PF em São Paulo por falta de vagas. Por não ter apresentado diploma de curso superior, Ribeiro foi encaminhado a um centro de detenção provisória.O MPF sustenta que os investigados foram alertados por membros da organização. Isso teria prejudicado o andamento das apurações, permitindo a destruição de provas. Durante a investigação, a PF constatou diminuição dos contatos telefônicos entre os envolvidos e troca de aparelhos celulares, numa tentativa de escaparem das escutas telefônicas.DefesasOs advogados dos detidos protestaram contra a decisão da Justiça. "O pedido foi feito há dois meses. Está claro que não há urgência e, portanto, a medida é desnecessária", afirmou o criminalista Luiz Guilherme Moreira Porto, defensor de Pardo.O advogado Marcos Vinícius Camilo Linhares, que representa Ayala, também considerou a prisão "descabida". "Já fizemos prova mostrando que a denúncia é improcedente", declarou. Os dois advogados entram hoje com pedidos de habeas-corpus no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3). O Estado não localizou o defensor de Ribeiro.Deflagrada em 20 de abril, a Têmis mirou suposto esquema de vendas de sentenças judiciais em favor de bingos e empresas devedoras do Fisco. Ao todo, 43 pessoas foram investigadas - entre desembargadores e juízes federais, empresários e advogados de São Paulo, Rio e Campo Grande (MS).À época, o MPF chegou a pedir a prisão de três desembargadores do TRF-3 - Alda Basto, Nery Júnior e Roberto Haddad -, além dos juízes federais Maria Cristina Barongono Cukierkorn, da 23ª, e Djalma Moreira Gomes, da 25ª Vara. O pedido foi negado pelo ministro Félix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). (Colaborou Rodrigo Brancatelli, do Estadão.)

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