Procurador condena 'ganância' de aéreas em Congonhas

Na quarta-feira, o MPF pediu o fechamento do aeroporto mais movimentado do País

Gustavo Miranda, do estadao.com.br,

19 de julho de 2007 | 14h11

 O procurador da República Márcio Araújo, que move a ação civil pública que pede o fechamento do Aeroporto de Congonhas, disse, nesta quinta-feira, em entrevista ao estadao.com.br, que a situação no aeroporto, na zona sul de São Paulo, é uma "calamidade multiplicada pela inanição das autoridades e pela ganância das empresas".   Lista  dos mortos  |  Vídeos    |  Crise aérea  |    Leia  mais sobre o acidente     Na quarta-feira, o Ministério Público Federal pediu o fechamento do aeroporto mais movimentado do País até que as "condições de segurança" das duas pistas sejam confirmadas. "A abertura do aeroporto para o risco é imoral e não leva em consideração os interesses públicos. Já existe um dano que é o medo de todo mundo. A imagem da brasilidade foi atingida. O brasileiro sente-se menos brasileiro", afirmou o procurador. O procurador defende a realização de uma auditoria e de uma perícia de um órgão que não tenha vinculação com o governo para atestar a segurança das duas pistas de Congonhas. "O Ministério Público Federal está muito preocupado com a segurança no aeroporto. Por isso mesmo, defendo que seja feita uma perícia por alguma organização internacional, com isenção. A esta altura, Infraero e Anac e até outras entidades brasileiras estão muito comprometidas", disse Araújo. A ação civil pública impetrada pelo procurador, no dia seguinte ao pior acidente da aviação brasileira, a explosão de um Airbus A320 ao bater no prédio da TAM Express na Avenida Washington Luiz, dá um dia para a Anac e a Infraero se explicarem. A Justiça Federal deve se posicionar na segunda-feira sobre o fechamento do aeroporto. Na opinião do procurador, o acidente revela o descaso de autoridades em pensar em uma alternativa para a aviação em São Paulo. "Um acidente como esse mostra que a situação em Congonhas se acomodou em salas de um prédio luxuoso comandado pela Infraero e pela Anac, sem respeitar a vida humana, de quem usa o aeroporto e de quem mora no entorno", disse. Tragédia anunciada No início do ano, o MPF paulista já havia pedido o fechamento da pista principal de Congonhas para que as obras de recuperação do asfalto fossem iniciadas. Na ocasião, a Justiça negou o pedido e as obras foram feitas posteriormente. A pista foi entregue após a reforma, mas sem a colocação de ranhuras, também chamadas de grooving, que facilitam o escoamento da água da chuva na pista. "Essa medida judicial não impede outras, inclusive para discutir a vocação do aeroporto de Congonhas, seus limites e riscos estruturais. Agora, o que a gente precisa ter em mente é que ninguém fez nada para evitar a tragédia, mas o futuro precisa ser diferente do presente", afirma o procurador. Veja também:  Quem são as vítimas do vôo 3054 As histórias das vítimas da tragédia O local do acidente Opine: o que deve ser feito com Congonhas? Os acidentes mais graves da aviação brasileira   Conheça o Airbus A320 A repercussão da tragédia no mundo

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