Problemas na Telefonica chegam ao interior e litoral de SP

Pane na rede principal da companhia afeta serviços em grande parte do Estado há mais de 24 horas

Brás Henrique, Rejane Lima e Tatiana Favaro, de O Estado de S. Paulo,

03 de julho de 2008 | 16h59

A pane na rede principal da Telefonica nesta quinta-feira, 3, afetou também o interior e o litoral do Estado de São Paulo. Em Ribeirão Preto, as agências do Poupatempo e do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) ficaram praticamente paradas. Nas duas, os computadores ficaram desligados e os funcionários cruzaram os braços, com os bancos, geralmente lotados, vazios. O único serviço que funcionou no Poupatempo foi de entrega de Carteira de Trabalho e de seguro-desemprego que estavam prontos e não dependiam de conexão online.   Veja também: Pane na Telefonica derruba web e pára serviços pelo Estado Celulares da Claro ficam fora do ar por mais de 1 hora Anatel averigua causa da pane na Telefônica, em SP Telefônica deve reparar danos e descontar valores, diz Idec   As delegacias da região tiveram situações diferentes. As 15 cidades sob a jurisdição da Seccional de Ribeirão Preto, que já utilizam o Registro Digital Online (RDO), por exemplo, só voltaram à normalidade quando o delegado Rafael Rabinovici determinou, pela manhã, a reinstalação do sistema antigo de registro de boletins de ocorrência.   "Vamos trabalhar de forma paralela e depois, quando tudo se normalizar, vamos inserir os dados no sistema", disse ele. "É mais moroso, mas o importante é não afetar o atendimento à população", explicou o delegado. Durante a noite e madrugada os registros de boletins ficaram praticamente parados.   Na região de Franca, as delegacias de 17 cidades não tiveram problemas com internet, pois a operadora de telefonia é a CTBC. Mas a conexão intranet, pela Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), para a transmissão de dados estatísticos, ficou fora do ar. Essas cidades ainda não utilizam o sistema RDO, como as cidades de abrangência das seccionais de Araraquara e São Carlos.   Pessoas físicas e empresas também foram afetadas, pois ficaram sem o serviço de banda larga Speedy. O publicitário Sergio Mello e cinco funcionários tiveram os serviços comprometidos sem o uso da internet desde a noite de quarta-feira. Contatos com clientes e fornecedores de Ribeirão Preto e de outros municípios ficaram difíceis. "Isso compromete o trabalho de entrega, que tem prazos, e tudo fica truncado", disse Mello. "O que dá para mandar por motoboy, tudo bem, mas gera aumento do custo operacional."   Campinas   Em Campinas, (a 90 quilômetros de São Paulo) à espera por documentos e registros de ocorrências policiais nesta quinta-feira. As duas unidades do Poupatempo, onde são feitos ao menos 900 registros de identidade por dia, ficaram com o sistema fora do ar durante toda a quinta-feira. Quem saiu de casa sem saber do "apagão" no sistema de dados do governo paulista perdeu a viagem.   "Só sei que hoje que escolhi para fazer meu RG resolveu dar tudo errado", disse a dona de casa Josimeire Castro de Oliveira, 43 anos, que saiu do Jardim São Marcos, periferia de Campinas, durante a manhã para tentar tirar a segunda via da carteira de identidade.   Nas delegacias de polícia, a orientação era ter paciência. "Não tivemos nada muito grave hoje, mas as ocorrências registradas foram feitas no sistema Windows ou pedíamos às pessoas que pudessem para retornar depois", disse o delegado assistente Renato Pereira, do 4º Distrito Policial, um dos mais movimentados da cidade.   A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas, responsável pelo gerenciamento do sistema de trânsito e transporte da cidade, deixou de receber ao menos 4 mil imagens registradas pelos radares espalhados pela cidade, média diária de registros de infrações que passam por auditoria.   Segundo informou a Emdec, por meio de assessoria, as imagens registradas pelos radares nesta quinta-feira não foram perdidas. Elas apenas não chegaram, via internet como rotineiramente, à central, mas mesmo acumuladas serão avaliadas após a normalização no sistema.   Na região de Sorocaba, alguns usuários de bancos também tiveram transtornos. Alguns serviços não estavam disponíveis. Numa agência da região do Cerrado, um cliente se exaltou e um funcionário chamou os seguranças. O problema foi contornado pelo gerente.   Litoral   A pane também trouxe alguns problemas aos serviços públicos da Baixada Santista. De acordo com o Chefe do Deinter de Santos, Waldomiro Bueno Filho, embora o problema tenha atrasado o registro das ocorrências nas delegacias, o trabalho continuou sendo feito em toda a região.   Segundo ele, a pane também fez com que os policiais passassem a realizar pesquisas manualmente, mas sem prejudicar o sucesso da operação Inverno, iniciada pela manhã. Durante todo o dia, uma equipe de 400 homens cumpriu uma série de mandados de prisão e de busca e apreensão.   De acordo com assessorias de imprensa das principais prefeituras da região, serviços de saúde e engenharia de trânsito não foram afetados. Em São Vicente, os computadores da prefeitura ficaram sem acessar a internet, mas sem causar danos a serviços essenciais; em Praia Grande, o acesso a internet ficou apenas mais vagaroso.   Já no Guarujá, a pane afetou o sistema do Centro de Cidadania e os munícipes não puderam solicitar documentos. A ouvidoria também não funcionou, ficando sem registrar queixas e realizar acompanhamento de processos e a queda da internet impossibilitou o cadastro de recursos de multas de trânsito e transferência de pontos de um condutor para outro.   O Porto de Santos, com os sistemas da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Receita Federal e Polícia Federal não teve problemas com a pane.

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