Problemas em SP começam ainda no carro

Em Cumbica e Congonhas faltam vagas para estacionar e filas vão do check-in ao embarque

William Cardoso, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2011 | 00h00

Os problemas nos aeroportos paulistas começam já no estacionamento e se estendem até depois de o passageiro embarcar. Falta de vagas, poucos guichês no check-in e portões de embarque em número insuficiente fazem parte da rotina de quem chega ou deixa a capital por Congonhas, na zona sul da capital, ou Cumbica, no município vizinho de Guarulhos.

Em Congonhas, evitar ir para o aeroporto de carro é recomendação de quem já insistiu várias vezes, mas esbarrou na falta de vagas no estacionamento. "Passei a vir de táxi. Não tem vaga, é o único jeito", afirmou o executivo Eduardo Saad, de 40 anos.

Opção razoável para quem pretende chegar ao aeroporto da capital, o táxi é um tormento para quem acaba de pousar. Com a escassez de veículos, a gerente de marketing Geórgia Petry, de 33 anos, foi obrigada a aguardar 45 minutos por um veículo anteontem, quando desembarcou em Congonhas. "Uma amiga já chegou a ficar 1h30 à espera. É tudo muito demorado."

Enquanto aguardava para voltar a Porto Alegre, Geórgia dividia o espaço apertado do check-in com centenas de passageiros. No fim da tarde de ontem, o saguão do Aeroporto de Congonhas estava tão lotado que esbarrões entre as pessoas eram inevitáveis. Segundo funcionários das companhias aéreas, o movimento intenso é normal. "Para a Copa, com certeza eles vão aumentar o número de terminais e melhorar o acesso para os passageiros. Também vão investir em aeroshoppings. É o que dá para fazer começando agora. O problema é que o governo vai deixar de lado tanto a melhoria na qualidade quanto o aumento na quantidade de pistas. E isso influencia diretamente a segurança das pessoas", disse um copiloto de uma companhia nacional.

Cumbica. Longas filas se espalham pelo saguão e separam o passageiro dos guichês de check-in do Aeroporto Internacional de Guarulhos. No embarque, a situação se repete e consome o que restou da paciência do interessado em viajar, que muitas vezes é obrigado a aguardar também dentro dos aviões, antes de seguir viagem. "É comum formar filas de aviões na decolagem por falta de pistas. Uma vez, ficamos 40 minutos em solo à espera da liberação para levantar voo. Isso após ter fechado as portas", disse uma comissária.

O copiloto Roger Lemos diz que faltam alternativas para pousos e decolagens em São Paulo quando as condições climáticas são desfavoráveis. "Se fecha Guarulhos, os voos são desviados para Viracopos (em Campinas), que fica saturado em cinco minutos. Caso Guarulhos e Congonhas fechem ao mesmo tempo, é caos aéreo no País inteiro."

Além das pistas, faltam vagas no estacionamento e em guichês - equipamentos de raio X e funcionários da Polícia Federal e da Receita são em número suficiente, segundo passageiros. "As informações não são claras e a fila para validar o passaporte é muito grande", disse o agrônomo venezuelano Luis Torres, que vive na Alemanha e elogia a forma como o país europeu se preparou para a Copa de 2006.

Chegando da Argentina, o time de futebol do Cruzeiro fez escala ontem em Guarulhos e também sofreu com a infraestrutura precária do aeroporto. "Saímos às 6h de Buenos Aires e vamos chegar a Belo Horizonte só às 19h, por falta de voos. De forma geral, não há respeito ao passageiro", disse o técnico Cuca.

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