Problemas com air bag

SEGURANÇA

, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2010 | 00h00

No dia 7/2 voltava para São Paulo de uma viagem, acompanhado de duas pessoas. Trafegava entre os km 225 e 220 da Rodovia Anhanguera, onde a pista é um verdadeiro tapete, quando os air bags do carro se abriram a uma velocidade de cerca de 115 km/h. O veículo, Honda Civic, foi adquirido na Concessionária Beni Car de Campinas, em 19/10/2009. Se eu não tivesse conseguido manter a calma, teríamos morrido. Ao entrar em contato com a concessionária, o responsável pela assistência técnica disse que o que ocorrera era normal! Segundo ele, algo bateu embaixo do carro, houve desaceleração brusca (mentira) e esse objeto teria atingido o sensor dos air bags. Ou seja, de acordo com a Honda, tenho de ter cuidado para não passar sobre lombadas ou buracos! Meu automóvel não possui nem um arranhão, não houve batida, o que foi comprovado pela própria concessionária. A Honda diz que a garantia não cobre esse tipo de acidente e que eu deveria pagar pelo conserto (R$ 17,5 mil) ou acionar o seguro. Acionei o seguro. A concessionária diz que a demora para o conserto é culpa da Honda, que não envia as peças para o reparo, e ainda se nega a disponibilizar um automóvel, pois sou vendedor e estou tendo prejuízos diários.

NILTON FERNANDO BOVO

/ SÃO PAULO

O assessor de Imprensa da Honda Automóveis do Brasil, Ricardo Ghigonetto, diz que, após análise por técnicos da rede Honda, se concluiu que o veículo sofreu um grande impacto na parte inferior, comprometendo o assoalho, o condensador, a travessa dianteira, entre outros itens. Por isso o air bag foi acionado. Cabe ressaltar que o veículo foi reparado e entregue em perfeitas condições de uso e funcionamento.

O leitor diz: Recebi o veículo depois de 43 dias. O painel foi montado torto, o para-brisa dianteiro foi manchado com algum tipo de produto químico, o para-choque não foi pintado nem os pneus, trocados, conforme fora combinado.

Análise: Mesmo sem condições de avaliar tecnicamente o problema que gerou a abertura dos air bags, a concessionária tem a obrigação de entregar o veículo em perfeitas condições, ou seja, reparar os defeitos que foram apontados pelo leitor. A empresa deveria oferecer um veículo reserva, enquanto o dele está sendo consertado. Caso não tenha sucesso, cabe recorrer às entidades de defesa do consumidor como a Proteste (se for associado) ou à Justiça.

Maria Inês Dolci é coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste)

GARANTIA

Produtos importados

Comprei um carrinho de bebê da marca Quinny nos EUA. Uma peça quebrou e entrei em contato com o representante da marca no Brasil. Minha esposa levou o carrinho para análise da loja e, dias depois, recebeu os valores: R$ 250 pelo orçamento (cobrado independentemente de aceitá-lo ou não) e R$ 525 pela troca da peça. Liguei para a loja para informar que a pessoa que me atendeu não disse que iria cobrar pelo orçamento. Disseram que a funcionária não trabalhava mais lá e que iriam conversar com a gerente. Quando retornaram, fui informado de que, se o conserto não fosse feito, nada seria cobrado, porém, se o fosse, teria de pagá-lo. Como a manutenção já havia sido feita, perguntei se ela estava me isentando de tal custo, pois o correto seria eu pagar apenas pela manutenção. O argumento foi de que precisaria de uma nova abertura da peça e que o valor para isso era de R$ 250, porque o primeiro orçamento havia sido feito apenas "pelo olhar". É assim que o representante exclusivo de uma marca trata seus clientes?

FLÁVIO SAHIB / SÃO PAULO

Karine Gontijo, da BB Trends, explica que a nota fiscal de quem comprou um produto fora do País não tem validade no Brasil. Quando ocorrem problemas com esses produtos muitas vezes não há assistência técnica e, quando existe, ela é considerada cara, pois se leva em conta o valor pago pelo produto fora do Brasil, sem a cobrança dos encargos previstos em lei. A loja só cobrou pelo serviço de assistência técnica. O valor da peça quebrada é de R$ 525 e do serviço, de R$ 250. Foi enviado um e-mail ao leitor sobre isso, que ligou para a empresa para dizer que achava um absurdo a cobrança da manutenção. Para atendê-lo melhor, a empresa decidiu não cobrar pela manutenção. Diz que não procede a informação de que o serviço foi feito, pois a loja só o faz com a autorização por escrito do cliente.

O leitor diz: Sempre soube que não há garantia. Minha

indignação é pela cobrança

do orçamento.

Análise: O consumidor tem direito à informação e, nesse caso, houve falha do fornecedor, que só poderia cobrar pelo orçamento se avisasse previamente e houvesse aceitação do valor cobrado. No caso, a empresa falhou ao cobrar os R$ 250 pelo orçamento, pois não avisou o cliente previamente. Sendo assim, essa cobrança é considerada abusiva. Deve ser cobrada só a manutenção, com a qual o consumidor concordar.

Tatiana Viola Queiroz é advogada da Proteste

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