Prisão dos Nardoni foi pedida por destruição de provas

Entre os argumentos, a polícia menciona que o crime provocou "imensuração comoção social"

Laura Diniz, O Estado de S. Paulo

01 de maio de 2008 | 20h46

O principal argumento usado pela polícia para pedir a prisão preventiva de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá é que, caso fiquem em liberdade, podem atrapalhar a investigação do caso. Eles foram indiciados pela morte de Isabella Nardoni, em 29 de março. Entre os argumentos, a polícia menciona ainda que o crime "provocou imensurável comoção social".   VEJA TAMBÉMDonos de imóveis lucram com reconstituição  'Há mais que indícios' contra o casal, diz promotor Fotos do apartamento onde ocorreu o crime  Cronologia e perguntas sem resposta do caso  Tudo o que foi publicado sobre o caso Isabella     O Estado apurou que a representação com o pedido de preventiva - enviada na quarta-feira, 30, ao Ministério Público Estadual (MPE) juntamente com as provas recolhidas pela polícia e com o relatório que conclui o inquérito policial - mistura uma abordagem emocional com o caráter técnico que o documento deveria ter. A prisão foi pedida, em resumo, para preservar a ordem pública, impedir a fuga dos indiciados e garantir a aplicação da lei penal.   A negativa de autoria do crime, por parte de Alexandre e Anna Carolina, é vista pela polícia como uma encenação. "Primeiro, eles lavam o chão do apartamento para ocultar o sangue lá dentro; depois, eles simulam terem sido vítimas de um roubo; conseguem mentir a dezenas de pessoas, a mais de 30 policiais, durante mais de 24 horas nesta delegacia, isso tudo logo depois de Isabella morrer, logo depois de Alexandre perder sua única filha." A mensagem é que quem é capaz disso fica capaz de muito mais para impedir o bom andamento de uma investigação, que, em tese, poderia incriminá-los.   Em seguida, o documento destaca que o casal acusou o porteiro do prédio, levantou suspeitas sobre o zelador e colocou a culpa no pedreiro. "Quantos talvez não aparecerão por eles apontados como sendo autores do homicídio de Isabella?", questiona a polícia, que classifica essas acusações como "levianas e inconsistentes". A idéia é sugerir que os indiciados não apenas tentam se defender, mas procuram incriminar um inocente por um crime que não praticou.   Ordem pública   A comoção social, diz o documento, explica-se porque Isabella era uma menina feliz, saudável, inteligente e cheia de sonhos. Alexandre, que deveria protegê-la, nas palavras da polícia, é descrito como "um pai capaz de atirar a filha da janela de seu apartamento, preocupado em limpar o chão sujo de sangue ao invés de socorrê-la, preocupado em encenar juntamente com sua esposa, ao invés de chorar a morte da filha, um pai inerte e abobalhado diante da fúria de Anna Carolina, que asfixiava a pequena Isabella na sua presença".   Na representação, o crime é classificado de hediondo, e afirma-se que o casal, caso permaneça livre, encontrará outras formas de atrapalhar a aplicação da lei penal, o que causa prejuízo à ordem pública. "É de se esperar que Anna Carolina e Alexandre permanecerão à espera da conclusão de toda a apuração criminal, se capazes foram de juntos idealizarem e sustentarem uma versão mentirosa, afrontando todos que, em algum momento, tiveram contato com o caso; fingirem ser pais amorosos e sensíveis em entrevista a uma grande emissora de televisão, desafiando nossas leis e nossos profissionais de Justiça?"   O pedido será apreciado pelo promotor Francisco Cembranelli, que deve pronunciar-se no início da próxima semana. O promotor pode concordar que a decretação da prisão é necessária, mas pode pedi-la por outros motivos, pois não precisa se prender ao que a polícia diz. Na mesma ocasião, ele divulgará os termos da denúncia contra o casal.   Em seguida, o caso segue para o juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri. É ele quem vai decidir se decreta a preventiva e se aceita a denúncia contra Alexandre e Anna Carolina.

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