Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Cracolândia tem novo confronto; lojas são saqueadas e depredadas

Dependentes químicos iniciaram confusão com guarda após prisão de um suspeito por roubo; PM foi acionada

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2017 | 13h02
Atualizado 11 Maio 2017 | 07h57

SÃO PAULO - Um novo confronto na região da Cracolândia, no centro de São Paulo, terminou com lojas saqueadas, comércios depredados, registro de agressão e até um ônibus sequestrado por usuários de droga na tarde desta quarta-feira, 10. Dependentes químicos e agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) ficaram feridos. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), duas pessoas foram detidas.

O conflito começou após dois pedestres terem o celular roubado por criminosos da região. Segundo relatos, as vítimas teriam corrido atrás do assaltante, mas acabaram presas no “fluxo”, como é chamado o local de concentração de usuários de droga, onde o ladrão havia se escondido. Ao interceder, guardas civis que atuam na área conseguiram deter um suspeito. Os dependentes químicos, no entanto, reagiram à prisão do colega e cercaram os GCMs.

Segundo guardas civis relataram ao Estado, os agentes estavam sem escudo balístico no momento, foram acuados e pediram apoio de viaturas da Inspetoria Regional de Operações Especiais (Iope), uma “tropa de elite” da GCM. Essas equipes teriam sido deslocadas para fazer rondas na zona leste, após um guarda ser assassinado com um tiro na cabeça, na frente de uma escola, na terça-feira, 9. A Secretaria de Segurança Urbana, porém, nega ter feito operação especial na zona leste nesta quarta.

Segundo investigações da Polícia Civil, a Cracolândia tornou-se um “reduto” do Primeiro Comando da Capital (PCC), que além de controlar o tráfico mantém armas como submetralhadoras e pistolas no local. “Quando a gente chegou estava um furor muito grande”, diz um agente do Iope. “Fomos recebidos a pedras, pau, objetos de toda natureza”, afirma. “Só tínhamos um escudo balístico, enquanto havia bastante armas em poder dos criminosos.” 

Ao menos três GCMs sofreram ferimentos. Um deles foi atingido por uma pedrada na cabeça e precisou receber ponto. Uma viatura da corporação foi completamente depredada.

Tumulto. Policiais militares da Força Tática chegaram ao local munidos de escudos, por volta do meio-dia. Para impedir o avanço da PM, moradores de rua armaram barricadas e atearam fogo em colchões, pneus e pedaços de madeira. Houve tumulto. PMs usaram balas de borracha, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Já os usuários lançaram paus e pedras. Também há relatos de tiros disparados de cima dos imóveis.

“Assim que eu saí da Cristolândia (projeto de uma igreja para dar assistência as usuários), fui recebido na agressão, até parecia que eu estava no meio do tumulto”, diz Fernando Roupinha, de 28 anos, atingido por uma bala de borracha na barriga. Segundo equipes de saúde que trabalham na região, pelo menos outros dois atendimentos semelhantes foram feitos.

Outro usuário foi atingido por disparo de arma de fogo, socorrido e liberado. Um fotógrafo foi agredido e teve o equipamento roubado. Ao longo da tarde, PMs fizeram rondas e bloqueios em ruas da Cracolândia. O clima era de tensão. Em motocicletas, alguns policiais andavam de arma em punho. 

Arrastão. Com a chegada da PM, dependentes químicos se espalharam e saquearam lojas vizinhas. Na Rua Duque de Caxias, uma farmácia foi arrombada, teve o caixa roubado e produtos levados por criminosos. Segundo testemunhas, eles entravam em grupos, depredavam e levavam os produtos.

Uma loja de instrumentos musicais foi vítima. “Levaram o que puderam: violão, guitarra, contra-baixo, microfone, caixa de som”, diz o funcionário Raimundo da Costa. “O prejuízo foi de R$ 70 mil”. Os ataques também ocorreram na região da Santa Ifigênia.

Um ônibus, que estava próximo ao Terminal Princesa Isabel, foi sequestrado por cerca de 20 usuários de droga. No momento do crime, havia cerca de 20 passageiros na condução, segundo testemunha. 

“Eles quebraram a frente com uma pedra, me fizeram abrir a porta e invadiram”, diz o motorista do ônibus. Alguns passageiros conseguiram descer. O condutor ficou em poder dos criminosos, que assumiram o voltante. “Eles tomaram a direção de mim e bateram em um poste”, afirma o motorista. “Quase pegaram uma mulher com uma criança.”

O refém foi liberado na região, junto com o ônibus. A cobradora ficou ferida. 

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