'Prioridade foi diminuir agressões', diz secretário

Secretário diz que política atual é coibir dando alternativa aos moradores de rua, como aluguel de vagas em hotéis

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2013 | 02h03

Os secretários de Assistência Social, Luciana Temer, e de Segurança Urbana, Roberto Porto, são os responsáveis pelas políticas para moradores de rua. Na entrevista, contam os planos para tentar melhorar a situação da população de rua, alugando vagas em hotéis e criando espaços mais flexíveis.

Antes, havia crítica sobre a repressão. Hoje, a queixa é que há uma falta de política. Qual é o plano de vocês?

Roberto Porto: A prioridade foi diminuir agressões e os índices de violência em relação a moradores de rua, que era talvez o maior problema da Guarda. Tínhamos, em média, 40 reclamações por mês na corregedoria, isso quase zerou.

Qual é o próximo passo?

Luciana Temer: Você tem muitas vagas para homens sozinhos. Poucas vagas para mulheres com crianças e um acolhimento para famílias. A gente está reformando agora uma casa para casais, na Casa Verde. Uma outra proposta é o aluguel de vagas em hotéis para as pessoas que fazem o Pronatec (ensino técnico).

Como será a locação do hotel?Luciana: É um caminho de autonomia. Porque a população em situação de rua tem dificuldade em caminhar só. A ideia é pegar esse sujeito que está no acolhimento, mas que tem um curso, está trabalhando, e colocá-lo no quarto com mais um. Tem de haver o acompanhamento durante um período.

Em uma tenda do centro, há barracos, banheiros entupidos, nenhuma torneira...

Luciana: Não quero que você chame de tenda porque não é tenda. Existe uma situação na Dom Pedro, que foi fechada porque tinha um problema sério de criminalidade, de tráfico lá. Acredito mesmo que tenha havido uma migração para a Sé. A ideia era que eles fossem para a Dom Pedro para cadastramentos de saúde, assistência e habitação. Só que as pessoas desceram e lá ficaram.

O padre Júlio Lancellotti disse que vocês esconderam lá os moradores de rua da Sé.

Luciana: O padre Júlio tem uma paixão sobre o assunto que é louvável, mas tem uma visão radical. Ninguém escondeu ninguém. Estava uma coisa insalubre e perigosa na Sé.

E o que aconteceu?

Luciana: Eles (moradores de rua) me pediram: "Nós queremos assumir a organização". Tinha equipe de saúde, porque iria virar uma unidade De Braços Abertos, e seria transferida uma equipe da assistência para fazer os encaminhamentos. Foi o acordo. Enviei material de limpeza, consertamos os banheiros e até fiz um alerta às lideranças, para que se organizassem para que nada fosse furtado. A verdade é que aquilo foi perdendo o pé.

Se não é uma tenda, é o quê?Luciana: A Dom Pedro hoje é um espaço de experimentação. Foi uma experiência de autogestão que não deu certo. E a gente está tentando dar um encaminhamento ao espaço. Nas frentes frias, tinha um galpão da Defesa Civil na Avenida Záki Narchi onde colocamos 400 beliches e três ônibus, saindo da Bresser, da Sé e do Pátio do Colégio. Não havia obrigação de fazer nada. No começo, o máximo eram 200 pessoas. Houve pico de 730. Pessoas que nunca aceitavam acolhimento estavam se vinculando.

Para os que permanecem na rua, como fazer para impedir, sem violência, que os espaços públicos sejam ocupados?

Porto: Nossa política é coibir com alternativa. Barraca na rua não pode. Mas não é simplesmente passar lá, pegar a barraca dele e não dar alternativa. A Záki Narchi, que vai ser ampliada, é uma alternativa sem violência.

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