Príncipe de Astúrias ainda guarda tesouros

De acesso mais difícil pela distância e profundidade - de 15 a 50 metros -, o espanhol Príncipe de Astúrias é a embarcação mais famosa e visada da ilha, justamente por ainda ter peças valiosas. Seu naufrágio, ocorrido em 1916, é considerado o maior do País por causa do elevado número de mortes - 477 oficialmente registradas, que podem chegar a mais de mil somando os clandestinos.

Ana Bizzotto, O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2010 | 00h00

Ex-mergulhador da Marinha de Guerra, Jeannis Platon, de 62 anos, foi um dos que mais exploraram o "Titanic brasileiro". Grego naturalizado brasileiro, ele dirige a ONG Fundação Mar, que desenvolve projetos, dá cursos de mergulho e reúne mais de 500 peças de naufrágios retiradas por ele e amigos, e cerca de mil compradas de caiçaras e desmanches de navios. O acervo está na sede da entidade, em São Sebastião, e no Museu dos Naufrágios, aberto em julho em Ilhabela.

De 1981 a 1991, Platon fez expedições autorizadas ao local de naufrágio do Astúrias. Nas mais de mil viagens a bordo do caça-minas Hipocampo, ele retirou objetos que vão de baixelas a uma das 12 estátuas de bronze que seriam instaladas em um monumento em Buenos Aires - hoje disponível no Museu Naval e Oceanográfico, no Rio.

Segundo ele, todo o material foi apresentado à Marinha, que definiu o que queria e do que abria mão. O mergulhador, que se aposentou da atividade e divide o tempo entre a ONG e sua loja de suvenires, ainda sonha em voltar a explorar o Astúrias e buscar as outras estátuas. Para isso, diz ter feito um projeto de pesquisa para o qual aguarda autorização. Ele afirma conhecer a localização das peças e diz que as venderia, caso consiga a autorização. "Se você gasta dinheiro para encontrar, tem de ser ressarcido", ressalta.

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