Principal hipótese da morte é acidental

Delegado afirma que não há indício de homicídio nem de suicídio; família diz que cantor estava deprimido

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

07 Março 2013 | 02h02

A polícia acredita que a morte do cantor Alexandre Magno Abrão, o Chorão, de 42 anos, tenha sido acidental, provocada por uma mistura envolvendo drogas, álcool e medicamentos. Apesar disso, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) aguarda o laudo do Instituto Médico-Legal (IML) para saber de fato o que aconteceu.

Segundo o responsável pela Divisão de Homicídios do DHPP, o delegado Itagiba Antonio Vieira Franco, não há indício de que tenha ocorrido assassinato ou suicídio. Questionado se acreditava que a morte tenha sido uma fatalidade, o delegado respondeu que "tudo leva a crer que sim". "Não vou afirmar taxativamente, porque a gente trabalha com homicídios e, de repente, vai numa determinada linha e dá uma guinada."

O corpo de Chorão estava ensanguentado, com machucados na cabeça, mãos e pé esquerdo. Apesar da presença de uma substância que supostamente seria cocaína, o delegado foi reticente sobre a overdose. "Pode ser. Mas estamos aguardando os laudos do IML e, nesse momento, seria leviano se eu afirmasse isso."

Hotel. Chorão estava em um hotel na região da Avenida Paulista, zona sul da capital paulista, na madrugada de segunda-feira, quando sofreu um surto. Ele ligou para o segurança, Victor Vasconcelos, de 35 anos, dizendo que haviam colocado coisas sobre ele na internet e não ficaria mais no hotel. Os desentendimentos em hotéis se tornaram constantes nas últimas semanas - passou por outros quatro em um intervalo de poucos dias.

Vasconcelos foi ao hotel e levou as roupas do cantor para o apartamento de Pinheiros, onde o cantor já estava. Ele foi a última pessoa a ver Chorão com vida, às 18h de segunda-feira. Anteontem, o motorista dele, Kleber Atalla, de 51 anos, foi até o prédio como combinado anteriormente, chegou a bater à porta, mas não foi recebido. Atalla voltou às 20h e, novamente, não conseguiu falar com o cantor.

Atalla é o motoboy que coloca vídeos na internet com sua rotina na cidade e se envolveu, em 28 de janeiro, no atropelamento que provocou a morte do instalador Antonio da Costa, de 53 anos

O motorista ligou para Vasconcelos, que estava em Santos e se prontificou a levar uma cópia da chave para abrir o apartamento e ver o que tinha acontecido. Quando entraram, encontraram Chorão caído, já sem vida. Chamaram então a polícia.

Barulho. Um vizinho, que ainda não foi interrogado, relatou ter ouvido ruídos vindos do apartamento do cantor na manhã de terça, possivelmente no mesmo horário em que ocorreu a morte.

Segundo o delegado, o apartamento estava completamente destruído, com marcas de sangue, buraco na parede de um dos quartos e um ar-condicionado quebrado, além de muita sujeira. "Aparentemente, em completo estado de abandono, sem nenhuma limpeza. Isso demonstra que alguma coisa não estava dando mais força de viver para ele, por deixar tudo daquele jeito", disse. "Mas realmente é deprimente (o local). Um apartamento muito bonito, bem localizado, mas detonado", disse.

Informalmente, o delegado já conversou com a família, que relatou que o cantor passava por um momento difícil, após a separação. Franco pretende interrogar os familiares e funcionários do prédio e vizinhos a partir da próxima semana.

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