Principais represas do Cantareira ficam com menos de 10% de sua capacidade

Reservatórios, que têm juntos 83% do volume total do sistema, chegaram ao menor nível da história

Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

11 Março 2014 | 12h49

Atualizada às 13h03

CAMPINAS - Os reservatórios Jaguari e Jacareí, considerados o coração do Sistema Cantareira - maior fonte de água para a Grande São Paulo -, ficaram pela primeira vez na história abaixo dos 10% de sua capacidade nesta terça-feira, 11, atingindo 9,9%. As duas represas, que são interligadas e funcionam como uma, armazenam 808 bilhões dos 973 bilhões de litros água do sistema, que é levado em conta na divisão para abastecimento da Grande São Paulo e interior.

Considerando as outras três represas menores do Cantareira (Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, destinada apenas para a Grande São Paulo), o nível do sistema nesta terça é de 15,8%, também o mais baixo desde a criação do Sistema Cantareira, desde 1974. O problema é a falta de chuvas nos rios e represas do sistema desde dezembro.

Quando atingir 5% de sua capacidade, o Cantareira deixará de funcionar como sistema integrado (que reserva e transfere água de uma represa para outra por túneis) e só poderá ser possível tirar água dele por bombas especiais. O uso da água do fundo das represas (chamado volume morto) nunca foi feito.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) está comprando o equipamento, que deve custar R$ 80 milhões. A companhia informou também que "está tomando todas as providências para manter a normalidade do abastecimento dos 20 milhões de habitantes na Grande São Paulo" e que cumpre as determinações do Estado e da União.

A Sabesp informou também que o Cantareira funciona de maneira integrada. "Neste fim de semana, por exemplo, a chuva concentrou-se na região da represa Paiva Castro - 61,2 milímetros. A companhia aproveitou essa vazão para o tratamento e poupou as demais represas", informou a companhia, em nota.

Mobilização. Em Campinas, o Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) começou na manhã desta terça-feira uma audiência de seu conselho fiscal que foi transformada em encontro para debate da crise hídrica. O encontro servirá também para mobilização entre cidades do interior para as discussões de renovação de outorga do Cantareira, que acontece em agosto.

A entidade, que representa 75 cidades onde estão os rios e represas do Cantareira, divulgou nota nessa segunda-feira atacando o governo do Estado e a Sabesp de tentarem minimizar a crise da água e apontando as responsabilidades dos dois no esvaziamento das represas.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.