Primo de goleiro diz que Eliza está morta

Versão de jovem de 17 anos, achado na casa do atleta e já indiciado por sequestro, não convence a polícia; traficante teria dado fim a corpo

Pedro Dantas, Gabriela Moreira / RIO, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2010 | 00h00

Um primo de 17 anos do goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, confessou participação no sumiço de Eliza Samudio, de 25 anos, amante do jogador. Segundo J., Eliza está morta. Ele fez as revelações em depoimento na Delegacia de Homicídios do Rio, após ser localizado na casa do atleta, na Barra da Tijuca. A versão, que eximiu Bruno de responsabilidade no crime, não convenceu os policiais, que continuarão investigando o jogador.

Depois de mais de sete horas de depoimento, J. foi indiciado por sequestro. Por volta das 22h15, ele foi encaminhado para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, que o apresentaria ainda no fim da noite de ontem à Vara da Infância, da Juventude e do Idoso. Cabe ao juiz de plantão o encaminhamento do garoto a um abrigo público, onde ficará detido e aguardará julgamento. O depoimento do jovem vai ser encaminhado à polícia mineira.

De acordo com o depoimento de J., Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão - amigo de Bruno -, convenceu Eliza a ir com o filho, de 4 meses, do Hotel Transamérica, na Barra da Tijuca (zona oeste), para o sítio do goleiro, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Conforme o jovem - que não citou o nome do atleta em nenhum momento -, ele viajava escondido e armado na Range Rover de Bruno, quando Eliza o viu e houve uma discussão. Neste momento, o adolescente teria dado uma coronhada em Eliza, que, sangrando, ficou desacordada até chegar a Belo Horizonte.

O menor não explicou como a jovem morreu e apenas informou aos policiais que o corpo foi entregue por Macarrão a um traficante de Contagem, conhecido como Cleisson, para ser "desovado". A polícia foi à casa de Bruno após uma entrevista de um tio de J. à Rádio Tupi do Rio. Segundo esse tio, o adolescente era mantido em cárcere privado na residência do jogador.

"Não houve cárcere privado. O Bruno recebeu um telefonema e franqueou o acesso da polícia à residência. Nós não tivemos acesso ao depoimento, pois o jovem estava com um parente", rebateu o advogado do goleiro, Monclar Gama.

A versão contada por este parente é diferente da prestada pelo rapaz. Segundo o tio, Bruno teria mandado entregar o corpo de Eliza a traficantes e teria pago R$ 3 mil. Ainda de acordo com a entrevista, "os advogados do goleiro estariam instruindo os envolvidos no sumiço a dizer que ela teve uma discussão no carro com o adolescente". "E aí levou um soco no rosto. Por isso as marcas de sangue no veículo."

A amiga de Eliza, que denunciou o desaparecimento da jovem, garante que ambas as versões não condizem com as conversas que teve com a amiga - uma delas, quando a ex-namorada de Bruno já estava em Belo Horizonte, no dia 9 de junho, um dia depois de a Range Rover ser apreendida numa blitz, na capital mineira. "Nunca ouvi falar nesse primo. A Eliza disse que foi convidada pelo Bruno a ir para Minas", afirma a amiga, que pediu para não ser identificada.

Contradições

Quem pagou?

O tio do jovem garantiu que foi o goleiro Bruno quem pagou R$ 3 mil para um traficante sumir com o corpo.

Ninguém viu?

Como ele e Macarrão passaram por três pedágios com uma mulher ferida até Belo Horizonte, sem ninguém perceber?

E os detalhes?

O jovem garante que Eliza está morta, mas não diz quem matou nem fornece mínimos detalhes.

Quem pegou o carro?

Ainda não se explicou como usaram o carro do goleiroBruno sem ele saber.

E a data da viagem?

O adolescente também não conseguiu dizer aos policiais nem qual foi o dia certo da viagem.

Como fica o telefonema?

Se Eliza morreu assim que chegou em Belo Horizonte, como é que uma amiga garante ter conversado com ela pelo celular no dia 9 de junho? O carro do jogador foi apreendido no dia 8

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