Filipe Araujo/Estadão
Filipe Araujo/Estadão

Primeiro show de Madonna não lota o Morumbi

Cantora subiu ao palco vestida de justiceira; à tarde, durante passagem de som no estádio, perguntou aos fãs se é 'gostosa'

Roberto Nascimento - O Estado de S.Paulo,

05 de dezembro de 2012 | 02h01

Vestida de justiceira, Madonna subiu ao palco do Morumbi às 22h30 de ontem para o primeiro dos dois shows da turnê MDNA em São Paulo. A cantora deu um salve à cidade e, na sequência, apresentou faixas recentes, como Girls Gone Wild e Revolver. Com o modelito de animadora de torcida, ela canta Express Yourself e Give Me All Your Luvin'. Estava ofegante, mas em forma, esbanjando o sex appeal que aos 54 anos seduz multidões.

Madonna cantou para um Morumbi cheio, mas não lotado, como já previa a morna venda de ingressos para o show. Como é de praxe nas apresentações, mostrou a língua para a plateia e o dedo do meio para a cruz. Pediu paz mundial e o fim do preconceito contra gays e negros.

Quando tentou falar português, já tinha intimidade para dizer que não fala a língua. Arranhou um espanhol, disse que ia falar em inglês mesmo e ficou no "obrigada" e "São Paulo". Mas à tarde, na passagem de som, soltou um palavrão em português.

Antes da cantora subir ao palco, o DJ paulistano Gui Boratto fez um excelente set de abertura, tocando house music de nuances refinadas, algo raro de se ouvir em um show desse calibre.

Se nem todas os espaços do Morumbi estavam ocupados, pelo menos os que foram estavam animados, até porque milhares de pessoas tiveram de esperar horas no sol de 30°C antes de entrar. À tarde, as filas se esticavam em torno do Morumbi. Os primeiros fãs já estavam acampados havia cerca de 45 dias. Outros, menos obcecados, só chegaram no fim da madrugada, por volta das 5h.

Na passagem do som, o primeiro aglomerado de fãs que entraram no estádio ouviu da própria diva pop a provocação: "Eu sou gostosa?". "Sim!", responderam. Foi o início de uma espécie de pocket show que recompensou os presentes. Testando o som, a cantora passou por clássicos de seu repertório, como Vogue, Celebration, Express Yourself e por canções mais novas.

Na fila, o figurino sóbrio - calça ou bermuda jeans, óculos e camiseta da diva - indicava a faixa etária da plateia. "É um público mais velho", explicou o vendedor Carlos Alberto Vianna. Até 17h, Vianna havia vendido apenas 20 bandeiras de arco-íris - no show do dia 11 de Lady Gaga, no mesmo Estádio do Morumbi, negociou 160. "As pessoas são mais comedidas."

Briga. Por volta das 17h, uma confusão surgiu na frente do portão 17. Trabalhadores chamados pela empresa de segurança Cifon reclamavam de que não havia sido pago o prometido. Funcionários e um grupo que reivindicava o pagamento trocaram socos. "Estamos aqui desde 10h. Prometeram que pagariam R$ 60 e agora querem pagar R$ 10 e nos mandar embora", reclamava Beatriz, uma das seguranças que atuavam como freelancer.

Os funcionários da Cifon explicaram que a briga ocorreu porque os trabalhadores não eram contratados da empresa.

Em cima da hora. Na frente dos portões, o preço dos cambistas ia de R$ 250 - para arquibancada - a R$ 500 - pista premium -, mas eles confiavam que, embora a venda dos ingressos tenha sido inferior à esperada, o preço ainda subiria.

Em seu show no Rio, domingo, a cantora ganhou a plateia ao dedicar a apresentação "a todas as periguetes do mundo". Mas cometeu gafes, como falar em espanhol o que queria dizer em português. No Rio, a plateia de Madonna teve 67 mil pessoas, número próximo ao que era esperado ontem em São Paulo.

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