Acervo Estadão
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1º condenado do PCC, Gegê é ligado a morte de juiz e tráfico na Vila Madalena 

Rogério Jeremias de Simone está entre os 175 denunciados pelo MP, na maior investigação contra o crime organizado do País

Alexandre Hisayasy e Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

02 Fevereiro 2017 | 03h00

SÃO PAULO - Rogério Jeremias de Simone foi um dos dois primeiros membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) a ser condenado por formação de quadrilha em relação a sua atividade na facção. No dia 15 de março de 2004, ele e Rosângela Aparecida Legramandi Peres, a Fia, foram condenados por ligação com o assassinato do juiz-corregedor de Presidente Prudente, Antonio José Machado Dias, praticado no ano anterior. 

Gegê do Mangue foi condenado a três anos e seis meses por formação de quadrilha. Investigadores apontaram que saiu das mãos dele um bilhete, apreendido na Penitenciária de Avaré, pelo qual comunicava a morte do magistrado ao líder máximo da facção, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. “A caminhada é o seguinte o Machado já foi nessa (...) a Fia que passou. É a operação do câncer, pois a operação que faltava foi marcada e o paciente operado (risos)”, dizia o bilhete. 

Aquela foi a primeira condenação a reconhecer a atuação do PCC no Estado. “Essa organização criminosa cresceu assustadoramente, passando a praticar várias espécies de crimes, tais como extorsão contra outros detentos e familiares destes que não seguiam sua linha, venda de proteção, tráfico de entorpecentes, homicídios e outros ilícitos variados. (...) Desse modo, fica mostrada a nefasta grandiosidade da organização criminosa que se formou ao longo da década passada”, descreveu o juiz Pedro Luiz Aguirre Menin.

Na edição de 16 de julho de 2006, o Estado publicava a descrição da atuação de Gegê na Vila Madalena, considerado seu reduto. Desde os anos 1990, ele atuava na região boêmia da cidade, lidando com venda principalmente de cocaína. A boca funcionava no Mangue, favela existente no bairro desde os anos 1960, entre as Ruas Fradique Coutinho, Fidalga e Rodésia. Considerado pupilo de um grande traficante da região, Gegê passou de avião para figura importante do tráfico. Preso no início dos anos 2000, assumiu a liderança a partir do comando da cadeia em Avaré e posteriormente tendo cumprido pena com Marcola. 

Ele está entre os 175 denunciados pelo Ministério Público em outubro de 2013, no que foi considerada a maior investigação contra o crime organizado do País. A apuração levou três anos e meio e mostrou o a rotina de crimes do grupo, a partir de interceptações telefônicas, documentos, depoimento de testemunhas e informações sobre apreensões de centenas de quilos de drogas e armas. A denúncia mostrou que poucos eram os que estavam acima dele na hierarquia do PCC, entre esses Marcola.

A investigação mostrou que Gegê teve envolvimento direto na negociação de uma trégua entre facções cariocas, chegando a conversar com o traficante Nem, líder do Amigos dos Amigos (ADA) e chefe do tráfico na Rocinha. As interceptações flagraram a conversa em que o paulista disse a Nem a frase que virou sua marca: “O crime fortalece o crime”. O MP viu ser negado o pedido de prisão preventiva de Gegê em 1ª instância e ainda aguarda a análise do recurso apresentado ao Tribunal de Justiça. 

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