Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

1ª audiência sobre lei de zoneamento tem grande adesão e bate-bocas

Cerca de 500 pessoas estiveram na Câmara, a maior parte moradores dos Jardins insatisfeitos com nova proposta para o bairro

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

23 Junho 2015 | 07h02

Atualizado às 22h49

SÃO PAULO - A primeira audiência pública sobre o projeto de lei de zoneamento na Câmara Municipal de São Paulo foi marcada pela grande participação da população no debate - cerca de 500 pessoas estiveram no local - e por bate-bocas.

Moradores dos Jardins, na zona oeste da capital paulista, compareceram em massa para defender que ruas da região permaneçam como Zonas Exclusivamente Residenciais (ZERs) e não se transformem em Zonas Corredor (ZCors), o que permitiria a entrada do comércio. Das cerca de 30 pessoas que se manifestaram, ao menos dez falaram sobre a região dos Jardins - e apenas uma delas foi a favor das mudanças previstas na lei.

"Queremos a flexibilização de usos das zonas, somos a favor das Zonas Corredor na Avenidas Europa e na Rua Colômbia. Os movimentos que querem manter os Jardins como Zona Estritamente Residencial não representam a totalidade dos seus moradores, representam tão somente os seus associados. Já temos um documento com 30 mil assinaturas pedindo essa mudança", afirmou Geraldine Maia, do Movimento Zoneamento Real, primeira a falar.

Geraldine foi interrompida por gritos e vaias de integrantes dos movimentos do bairro.

Os contrários à lei reclamaram do adensamento populacional que deve ser promovido com a promulgação da lei e da possibilidade de construir "centenas" de prédios na Rua Estados Unidos e nos arredores.

"Quando olhamos para Cerqueira César, vemos várias ruas comerciais, como a Oscar Freire, a Alameda Lorena, a Rua Augusta. Quando ouvimos que a proposta é descentralizar a cidade, logo pensamos: porque concentrar mais onde já é absurdamente adensado?", questionou um representante da Sociedade dos Amigos, Moradores e Empreendedores do bairro Cerqueira César (Samorcc).

Patrícia Tomasini, moradora dos Jardins, compartilhou da mesma opinião: "O nosso movimento não é profissional. Nós nos unimos para defender a qualidade de vida", relatou. "Defendemos o direito de morar bem e a expansão dessa zona maravilhosa para o resto da cidade. As áreas estritamente residenciais estão sendo espremidas, nós estamos sendo espremidos."

Ela também disse que tinha "cartas na manga" jurídicas para usar contra o projeto de lei.

No fim dos debates, o secretário Municipal de Desenvolvimento Urbano, Fernando de Mello Franco, questionou a afirmação de Patrícia. "Fiquei assustado quando Patrícia falou sobre ter cartas na manga. As audiências públicas devem ser o mais transparentes possíveis, nós prezamos a transparência", disse ele à plateia.

Patrícia respondeu, gritando, que quem tinha de ser transparente era ele. "É preciso ter consciência de que não vivemos em uma ilha", afirmou o secretário.

Mello Franco também rebateu afirmações a respeito do adensamento nos Jardins: "Bairros centrais estão sofrendo processo de desadensamento, uma conjunção de queda na taxa de fecundidade e saída para outros bairro. Toda a política urbana volta-se para o equilíbrio da cidade. O nosso objetivo é minimizar os violentos desequilíbrios da cidade, que não estão em Cerqueira César, estão na periferia, e é para lá que estamos olhando".

Audiências. Essa foi a primeira de 48 audiências públicas programadas sobre a lei de zoneamento, que deve ser votada até o fim do ano. Os vereadores, no entanto, afirmam que mais audiências poderão ser feitas se necessário. A proposta do Executivo repercutiu principalmente nos bairros de alto padrão, já que o norma que ainda aguarda votação do legislativo permite, pela primeira vez, a instalação de comércios e serviços nas chamadas ZERs.

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