Acervo/Estadão
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Previsões nem sempre acertadas

'Mais do que uma simples brincadeira, olhar para o futuro, imaginando-o, tem uma função importante: conseguimos analisar os erros e acertos do passado e do presente e vislumbrar um norte'

O Estado de S. Paulo

24 de janeiro de 2014 | 23h50

Exercícios de futurologia, como este caderno especial apresenta, não são novidade no jornalismo. Por isso, já vamos avisando o eventual leitor do futuro que vier a encontrar estas páginas - impressas? digitalizadas? em uma nova plataforma? - uns 50 anos mais tarde: provavelmente erramos mais do que acertamos.

Mesmo calcados em apuração, dados concretos e opiniões de pessoas notavelmente relevantes, provavelmente erramos mais do que acertamos. Mas, mais do que uma simples brincadeira, olhar para o futuro, imaginando-o, tem uma função importante: conseguimos analisar os erros e acertos do passado e do presente e vislumbrar um norte, muitos objetivos e todas as prováveis e possíveis metas para termos uma São Paulo melhor. Em todos os aspectos: mais verde, com melhor transporte público, com rios limpos, enfim, com mais qualidade de vida.

O presente pelo passado. "A cidade do ano 2000 terá valores inteiramente novos, não apenas quase abolindo o transporte individual, mas diminuindo radicalmente a própria necessidade de transporte: mais da metade da população trabalhará em casa, interligada por via eletrônica à empresa a que serve e, muito raramente, irá até o centro", publicamos em 1980.

O tamanho da população paulistana também já foi estimado de diversas maneiras. Também em 1980, publicamos que a população poderia chegar a 36 milhões de habitantes já no ano 2000. No aniversário de São Paulo de 1973, entretanto, a previsão era outra: "em pouco mais de uma década (...), a Grande São Paulo será a maior concentração humana do mundo. E como isso parece inevitável, resta aplicar planejamento em doses largas, apesar do nosso atraso no assunto". A mesma edição apostava que no ano 2000 seriam 40 milhões de habitantes e, quando São Paulo completar 500 anos, o Brasil terá a primeira "megalópolis dos trópicos", uma conurbação ligando, sem interrupções, "Campinas, São Paulo, Santos e Guanabara".

Mas, sem dúvida, um dos mais incríveis ensaios de futurologia já publicados pelo Estado é o da edição de 25 de janeiro de 1972. Ali, imaginou-se a vida do paulistano típico em um futuro 20 anos distante, ou seja, em 1992. Os carros se deslocariam a incríveis 120 km/h pelas ruas da cidade, fazendo com que as pessoas chegassem ao trabalho em menos de 10 minutos. Com um complexo viário totalmente redesenhado e a reorganização da cidade em bolsões, os congestionamentos teriam simplesmente desaparecidos, dando lugar ao "caminho desimpedido: não há semáforos nem cruzamentos". Parques se tornariam abundantes. As pessoas viveriam em conjuntos habitacionais autossuficientes: com centro comercial, cinema, parque, piscinas, creches, enfim, tudo para "suprir as necessidades de seus moradores".

Para ir ao litoral, a Rodovia dos Imigrantes seria a alternativa à Anchieta - apresentada no texto como congestionada, "num trajeto que demorava horas", sendo "necessário perder algumas horas de sol, para chegar a tempo". A Rodovia dos Imigrantes realmente teve a pista norte inaugurada em 1974 - e a pista sul em 2002 - mas nem isso o texto acertou: o paulistano sabe bem o que é ficar parado por longas horas para ir ou voltar da praia, sobretudo em feriados.

Enfim, nas páginas a seguir, vamos pensar em (e sonhar com) uma São Paulo cada vez melhor.

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