''Previdência rural e programas de renda diminuíram o êxodo''

Herton Ellery, PESQUISADOR DO INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2011 | 00h00

O pesquisador Herton Ellery Araújo, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vem acompanhando os processos migratórios no Brasil. Com base em dados da Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (PNAD), observou a dinâmica na última década entre as 27 unidades da federação, mais especificamente entre o Estado de São Paulo e o Nordeste.

Porque São Paulo registrou saldo migratório negativo na

última década?

Boa parte das pessoas que saíram do Estado migrou para o Nordeste do País. Esse fluxo foi maior no começo da década, mas voltou a se inverter em 2009, quando migrantes principalmente da Bahia começaram a voltar para São Paulo. A hipótese para esse movimento de retorno é a previdência rural e os programas de renda, que diminuíram a necessidade de os nordestinos deixarem a sua terra natal.

São Paulo teve mudança?

Sim. O Estado passou a ser mais seletivo e a dificultar a inserção do migrante no mercado de trabalho. As exigências em capacitação e educação aumentaram. Também é preciso considerar que na década passada Estados nordestinos têm registrado crescimentos acima dos verificados em São Paulo. Isso é um importante fator de atração.

Porque a migração dos nordestinos para o Sudeste voltou a crescer no fim desta década?

Isso é algo que ainda precisa ser mais bem analisado. O que nos parece, contudo, é que São Paulo continua sendo a válvula de escape quando a crise aperta. A diferença de renda entre essas regiões ainda é muito grande. Um migrante do Nordeste em São Paulo tem salário médio de R$ 828. Já o morador do Nordeste recebe, em média, R$ 597. Por mais que o Nordeste cresça, ainda falta muito para chegar ao padrão de renda de São Paulo.

Há outros Estado brasileiros registrando crescimento?

Sim, regiões de fronteira agrícola, como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

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