Pressão da indústria faz ABC desistir de restrição a caminhões e estudar rodízio

As 7 prefeituras que queriam vetar tráfego no horário de pico agora dizem que medida pode ser 'prejudicial' ao crescimento econômico

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

04 Abril 2012 | 03h06

As cidades do ABC paulista desistiram da restrição ao trânsito de caminhões planejada desde novembro. As sete prefeituras cederam ao apelo do setor industrial da região, que avaliou a medida como "prejudicial" para o crescimento econômico, e, agora, pretendem levar o assunto à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Metropolitano.

A restrição teria início em 28 de abril. A proposta do Consórcio Intermunicipal do ABC, que reúne as prefeituras da região e atualmente é presidido pelo prefeito de Diadema, Mário Reali (PT), era restringir o tráfego de carga só nos horários de pico, nos três grandes eixos que interligam as cidades e a capital.

O secretário executivo do consórcio, João Ricardo Guimarães Caetano, disse que a decisão de suspender a medida foi tomada após avaliação do cenário econômico atual - com desaceleração da atividade industrial e da criação de empregos. "Não poderíamos criar um problema a mais (para a indústria) com o desaquecimento do setor econômico. Essa restrição pode tornar-se uma dificuldade ainda maior."

A negociação no consórcio foi feita com entidades sindicais, como o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, e empresariais - no caso, a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). Em nota conjunta, Fiesp e Ciesp disseram ser contra proibições ao trânsito de caminhões em vias públicas. "No entendimento das entidades, a medida que proíbe o tráfego de veículos pesados em determinadas vias da capital e de outros municípios é arbitrária e está relacionada à ineficiência na gestão pública, à falta de planejamento e de investimentos adequados em infraestrutura."

Da negociação, saiu uma proposta de uma "solução compromissada". As indústrias vão definir, com cada cidade, os horários mais adequados para concentrar a saída e a chegada dos caminhões com mercadorias.

Metrópole. Outro argumento foi a integração regional. Segundo Caetano, uma decisão dessas não poderia ser tomada sem acordo com os demais municípios da Região Metropolitana "As decisões de uma cidade acabam refletindo e acarretando problemas em cidades vizinhas", afirmou. Ao ser questionado se a posição era uma crítica à forma como a capital vem adotado suas restrições, Caetano ponderou. "Nosso parque produtivo está espalhado pelos centros das cidades. É diferente de São Paulo, onde o setor industrial não é tão significativo e não está tão espalhado como no ABC."

A capital anunciou que restringiria os caminhões em dezembro, após o ABC, mas seguiu com os planos mesmo após as críticas da indústria. Em nota, a Prefeitura disse que a restrição "abre espaço a veículos que transportam pessoas, contribui para melhoria no meio ambiente, ao diminuir a emissão de poluentes por veículos pesados que circulam nos horários de rush em São Paulo".

Rodízio. Com a suspensão da restrição, as cidades do ABC voltaram a estudar a adoção do rodízio de veículos para dar fluidez às vias, o que não é feito desde 1998. Entretanto, em ano de eleição, será feito um estudo sobre a popularidade da ideia - uma pesquisa de opinião pública bancada pelo Consórcio vai descobrir se existe aval à proposta.

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