Presos três funcionários que furtavam malas ainda nos aviões em Cumbica

Empregados de empresa terceirizada abriam bagagens dentro das aeronaves, onde não há câmeras; polícia procura outros envolvidos

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

06 Março 2013 | 02h09

Três funcionários de empresa terceirizada foram presos ontem acusados de furtar perfumes, óculos, relógios, celulares e objetos de valor da bagagem de passageiros que usam o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Eles abriam as malas ainda nos aviões, onde não há câmeras. A Polícia Civil trabalha agora para identificar as vítimas e não descarta a prisão de outros funcionários.

O número de furtos registrados na delegacia de Cumbica cresceu 26,5% entre 2011 e 2012, despertando a atenção da polícia, que, há dois meses, iniciou as investigações. Por desconfiar que malas foram violadas antes de chegarem às mãos dos passageiros, na esteira, a delegacia colocou um policial infiltrado no setor de bagagem. Ele descobriu que auxiliares operacionais da empresa terceirizada Swissport - contratada para fazer o transporte de bagagens - abriam as malas dentro dos aviões. Escolhiam os objetos mais valiosos e colocavam dentro do uniforme.

Na madrugada de ontem, foi feito o flagrante, após a atuação do bando em dois voos que chegaram de Miami e Bogotá. Foram presos Thiego Rodrigo Espuldaro Rodrigues da Costa, de 28 anos, Anderson Teruyuki Iwassaki, de 24, e Givanildo Cruz dos Santos, de 32. A polícia disse que os três admitiram o crime. Ao menos outro auxiliar operacional é suspeito de colaborar com o trio e está desaparecido desde a prisão dos colegas.

Na casa dos suspeitos havia objetos que teriam sido furtados de passageiros. A polícia procura também os receptadores da mercadoria. "Um dos funcionários disse que trocava os produtos por crack. Eles também vendiam, então vamos agora procurar quem recebia os produtos e chamar essas pessoas", disse o responsável pelo Departamento de Portos, Aeroportos, Proteção ao Turista e Dignatários, Osvaldo Nico Gonçalves.

A polícia não descarta a participação de outros auxiliares operacionais nesse tipo de crime. "Vamos esclarecer muitos casos com funcionários que já saíram da empresa e com outros que estão trabalhando ainda. Só eles têm acesso à área restrita das aeronaves. A pessoa chega em casa e vê que algum objeto colocado dentro da mala foi furtado, então foram eles mesmos", afirmou Nico Gonçalves.

Vítimas. A polícia procurava ontem vítimas da quadrilha. O representante comercial Elvis Marques de Macedo, de 48 anos, já teve a mala violada ao voltar de viagem. Ele viajava com a família de Curitiba para Fortaleza, em 26 de janeiro, e fez uma conexão em São Paulo, onde teve a mala aberta.

"Pelo estado do cadeado, notamos que tinham mexido. Como estava de férias, não coloquei nada de valor. Por sorte, eram só roupa, alguns perfumes, secador. Na minha opinião, estavam procurando notebook, máquina fotográfica e dinheiro."

Ex-promotor e advogado especialista em Direito do Consumidor, Rodrigo de Mesquita Pereira afirma que o passageiro prejudicado deve procurar imediatamente a companhia aérea. "Enquanto as malas estão no avião, a responsabilidade por elas é das empresas aéreas", afirmou.

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