Presos PMs do 18º Batalhão acusados de execução

Como revelou o 'Estado', o grupo é acusado de matar dois para encobrir a autoria de uma chacina

Josmar Jozino e Marcelo Godoy, Jornal da Tarde e O Estado de S. Paulo

16 de fevereiro de 2008 | 12h25

Policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Corregedoria da Polícia Militar prenderam neste sábado o sargento José Rivanildo da Silva Sá, de 38 anos, e os soldados Luzinário Moreira do Nascimento, de 32 anos, Ricardo Gonçalves de Moraes, de 38, e Eliabe Antonio de Mello, de 32. Todos são lotados na Força Tática do 18º Batalhão, que era comandado pelo coronel José Hermínio Rodrigues, morto em 16 de janeiro. A polícia suspeita que o militar tenha sido morto porque combatia a atuação de policiais em grupos de extermínio na zona norte de São Paulo. Fotos sugerem que PMs do 18º mataram detidos para encobrir chacina Viúva foge para salvar sua vida a conselho de policial  Como revelou o Estado neste sábado, o grupo é acusado de matar dois homens com antecedentes criminais para encobrir a autoria de uma chacina ocorrida em 24 de maio, na zona norte. Os quatro PMs são acusados do assassinato de Charles Wagner Felício, de 32 anos, e Cleiton de Souza, de 25. Na versão dos militares, em 24 de maio, pouco depois das 20 horas, Charles e Cleiton praticaram uma chacina com três mortes no Jaraguá, zona norte, foram perseguidos e morreram durante tiroteio. Mas o DHPP levantou provas de que os dois acusados já estavam presos horas antes da chacina. Os PMs não sabiam que Charles usou um celular para tirar fotos dele e de Cleiton num carro, ao lado do que parece ser uma Blazer da Força Tática. As imagens foram feitas às 16h51 e 16h52. Charles escondeu na cueca o celular, só encontrado quando ele foi levado ao Hospital de Taipas. Além disso, a mulher de Charles, Maricleide da Silva Felício, de 32 anos, viu quando o marido e o parceiro foram detidos pelos policiais, às 15h30. O pedido de prisão foi feito na quarta-feira pelo DHPP e aceito na sexta-feira. Os policiais civis alegaram no relatório enviado à Justiça que as prisões eram necessárias para que os acusados não eliminassem provas nem intimidassem testemunhas. Entre os locais revistados pela manhã estão as casas dos PMs e seus armários nas companhias em que servem. Além da chacina e das mortes de Charles e Cleiton, policiais do 18º Batalhão são investigados sob a suspeita de terem participado de outras três chacinas ocorridas em 2007 na zona norte. Ao todo, 20 pessoas morreram nesses crimes.   Outro lado Os órgãos responsáveis pelas informações sobre a segurança pública de São Paulo não confirmavam a prisão dos policiais militares na manhã deste sábado, 16. O Centro de Comunicação da Polícia Militar insistia em responder que "não fomos informados" sobre a prisão. Já a assessoria da Secretaria de Segurança Pública (SSP) apenas relatava que estavam checando a informação. Até mesmo o número do telefone dado pela SSP do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), não respondia. Os colegas do 18º Batalhão da Polícia Militar, na Freguesia do Ó, onde o detido atuava, também alegavam não saber da ocorrência, assim como os policiais do 28º DP, na mesma região.

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