Presos no PR teriam ordenado os ataques

RIO

Pedro Dantas, Marcelo Auler e Gabriela Moreira, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2010 | 00h00

A Secretaria de Segurança do Rio acredita que a prisão, ontem, de dois homens e dois menores flagrados colocando bombas em carros estacionados em Copacabana, na zona sul, comprova que os recentes atentados na cidade foram autorizados pelos traficantes Marcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, e Marco Antônio Pereira Firmino, o Mv Thor, presos na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. "Ações desta natureza não aconteceriam sem a aquiescência dessas pessoas", disse ontem o secretário José Mariano Beltrame.

Em outubro, os agentes do presídio federal apreenderam cartas aos dois líderes do Comando Vermelho (CV) com relatos das dificuldades da facção em favelas do Rio, após a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em 13 morros. Os relatos falam, de forma genérica, na necessidade de ataque às UPPs.

No fim do mês, o Estado noticiou a apreensão de outra correspondência para Marcinho VP em nome de um homem identificado como Felipe. Ele falava da disposição de bandidos nas favelas de resistir às UPPs. Ele pedia autorização do líder do CV para atacar autoridades e até assassinar um representante de organização não governamental.

A polícia do Rio investiga se a facção rival Amigos dos Amigos também participaria das ações. O juiz Nivaldo Brunoni, corregedor dos presídios no Paraná, garantiu que nenhuma informação oficial comprova que tenha saído de Catanduvas ordens para os ataques. Mas ele lembrou que Marcinho VP e Mv Thor, que estão em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), continuam tendo visitas íntimas e, nesses encontros, não há como controlar o repasse de recados.

Para o promotor Alexandre Murilo Graça, que atua em inquéritos da Delegacia de Combate às Drogas, os ataques estão mais relacionados aos presos insatisfeitos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.