Presos mais três acusados de espancar metalúrgico em Sorocaba

Polícia diz já ter identificado outros envolvidos no caso; mãe da vítima diz só pensar no filho, que está em coma

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2008 | 17h52

A Polícia Civil prendeu nesta sexta-feira, 13, mais três acusados de espancar brutalmente o metalúrgico Fabiano Dias Rodrigues, de 23 anos, na saída de uma boate, em Sorocaba. A vítima sofreu traumatismos múltiplos e continua em coma. O crime aconteceu na madrugada do dia 1º e as agressões foram gravadas pelas câmeras do estabelecimento. Dois dos acusados, Talisson Augusto Cleis, de 19 anos, e Alberto Gesteira do Nascimento, de 20, identificados através das imagens, foram apresentados à polícia pelos seus advogados. Também foi detido o menor L.D.M.M., que no próximo dia 22 fará 18 anos.   Cleis, que aparece com uma bermuda branca, era um dos mais violentos do grupo. Eles tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça. Na quinta-feira, 12, o menor E.V.E.O., de 17 anos, já havia sido apreendido. Ele foi flagrado pelas câmeras pulando com os dois pés sobre a cabeça da vítima.   O delegado José Ordele Lima Júnior identificou outros dois agressores, Willy Rosi Athayde, de 18 anos, e Alton Fernando da Silva Fernandes, de 20, mas eles estão foragidos. As identidades dos outros agressores - no total são oito - também já são conhecidas.   Nesta sexta, o delegado ouviu também o segurança Delson Elias Correia, suspeito de ter se omitido no socorro à vítima. Correia alegou que estava no interior da boate e, quando saiu, o metalúrgico já tinha sido deixado estendido no chão pelos agressores. "O rosto estava muito deformado e não dava coragem de olhar", comentou.   A advogada Juliana Torres dos Santos, que assiste a família do metalúrgico, afirmou que a administração da boate também agiu com omissão. "As agressões começaram dentro do estabelecimento e os seguranças colocaram para fora não só os agressores, mas também a vítima, ou seja, praticamente a entregou aos bandidos." O advogado da boate, Joel de Araújo, disse que a briga ocorreu na rua, uma área pública, fora da responsabilidade do estabelecimento. "A segurança na rua é obrigação do Estado."   Família   A mãe de Fabiano, Sebastiana Dias Rodrigues, de 58 anos, prefere não pensar no que vai acontecer com os agressores do filho. "Isso é com a justiça divina. Peço a Deus que tenha misericórdia desses bandidos." Tudo o que ela faz é rezar para que seu "menino" consiga sair com vida do hospital. "Só penso nele, o tempo todo."   Os médicos já a avisaram sobre o risco de seqüelas permanentes, caso ele se recupere. "Rezo com toda fé para que ele viva, não importa como ele saia. Eu vou cuidar com muito amor." O filho, conta Sebastiana, estava de bem com a vida. "Ele tinha planos, estava cheio de sonhos. Queria fazer o Senac para trabalhar com a Isabela, irmã dele." A irmã, de 27 anos, tem um escritório de contabilidade.   Sebastiana conta que o filho era um menino quieto, na dele, não bebia, não fumava. Até recentemente, atuava como catequista na igreja do bairro, dedicada a Santo Antônio. A família mora numa casa simples, no bairro Árvore Grande, zona leste da cidade. Coincidentemente, os agressores moram na mesma região, mas eles não se conheciam. "Meu filho ia para esses lugares só para ouvir a música."   A mãe não conseguiu ver por completo as imagens da brutal agressão contra o filho mostradas na televisão. "Ela começou a passar mal, a pressão subiu. Tivemos que desligar a TV", conta o filho Clayton, de 25 anos, representante comercial. Ele espera justiça. "Que esses delinqüentes não saiam mais na rua."   Nesta sexta-feira, a família conseguiu que Fabiano fosse transferido do Hospital Regional, que é público, para o hospital da Unimed. Uma liminar do juiz da 4ª Vara Cível, José Carlos Metrovich, garantiu o direito ao plano de saúde que o metalúrgico tinha até recentemente, quando ficou desempregado. Ele continuava em estado grave, respirando com o auxílio de aparelhos.

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