Presos ladrões que torturavam vítimas

Bando ameaçava queimar moradores e praticava até 4 roubos por semana, na região de Campo Belo e Moema; produtos eram revendidos

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

25 Outubro 2011 | 03h04

Três integrantes de uma quadrilha que roubava casas na zona sul de São Paulo, acusados de agredir e até ameaçar atear fogo nas vítimas - entre elas, deficientes físicos e idosos -, foram presos pela Polícia Civil. Os suspeitos foram apresentados ontem pelo Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), que procura agora outros quatro acusados. Outro membro do grupo foi morto em confronto com PMs em setembro.

Segundo o delegado responsável pela 1.ª Delegacia de Investigações sobre Crimes Contra o Patrimônio (Repressão a Roubos e Extorsões), Francisco Solano, o bando praticava até quatro roubos por semana nos bairros de Campo Belo, Aeroporto, Moema e Jabaquara. Parte dos objetos roubados era levada para a favela da Rua Alba, na Vila Santa Catarina, onde os produtos eram vendidos em um tipo de feirinha de eletrônicos. "Eles pediam uma bagatela pelos produtos. Só para se ter uma ideia, quatro notebooks foram vendidos por cerca de R$ 2 mil."

O delegado contou que o bando agia sempre no início da manhã, por volta das 6h30, ou no começo da noite, em torno das 19h. "São os horários em que as pessoas estão saindo ou voltando para casa." A maioria das vítimas era de classe média. Solano disse também que os bandidos adotavam a tática do enfrentamento quando eram abordados por policiais após os roubos.

As investigações do Deic começaram há cerca de seis meses. O delegado disse que em pelo menos dez casos de assaltos a residências já possível constatar a participação do bando, mesmo sem o reconhecimento por parte das vítimas. "O principal problema é que as pessoas estão com medo de vir até aqui e identificar os criminosos nos nossos arquivos fotográficos."

Violência. O medo das vítimas não é por acaso. Crianças, mulheres, idosos e deficientes físicos eram aterrorizados pelo bando, como forma de obrigar seus parentes a indicar onde estavam os bens mais valiosos. "Eles são bandidos muito cruéis. Procuravam principalmente as pessoas mais frágeis da família e ameaçavam de todas as formas. Em alguns casos, jogavam álcool sobre a pessoa e ameaçavam riscar um fósforo, tocando fogo", afirmou Solano.

Segundo a polícia, em um dos casos, no dia 24 de junho, os bandidos entraram em uma casa no Campo Belo e espancaram um idoso deficiente auditivo e visual até conseguir as informações que precisavam. Durante a fuga, eles abandonaram um Fiat Stilo, roubaram um Honda Civic e ainda acertaram um tiro de raspão na cabeça do PM Claudio Marcos Marafante, de 41 anos.

Investigação. A quadrilha começou a ser desmascarada em 11 de agosto, quando Gerson Roberto dos Santos, de 26 anos, foi detido após uma troca de tiros com PMs durante uma tentativa de assalto na área do 27.º DP (Campo Belo). Ele foi baleado quatro vezes, sobreviveu, e foi reconhecido por Marafante como o homem que o atingiu um mês e meio antes.

Santos também foi identificado pelo dono do Honda Civic roubado e pelos donos de uma outra casa assaltada na mesma região. O reconhecimento foi facilitado por um traço característico: os dentes grandes que também inspiraram o apelido, entre os integrantes da quadrilha, de Coelho.

Em 14 de setembro, foi a vez de Rodrigo Bispo da Silva, de 29 anos, e Ricardo Araújo Correia, de 39, serem presos logo após roubar outra família, dessa vez na área do 35.º DP (Jabaquara). Durante a ação, policiais militares mataram João Vitor de Oliveira Carvalho Costa, de 19 anos, que, segundo o Deic, também fazia parte da quadrilha de assaltantes da favela da Rua Alba.

A reportagem não localizou os advogados dos suspeitos.

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