Presos em Campinas dois integrantes da quadrilha de Abadía

O colombiano Jaime Verano Garcia foi preso em casa e entregou o brasileiro Eliseu Almeida Machado

Marcelo Godoy, Patrícia Campos Mello e Rodrigo Pereira,

09 de agosto de 2007 | 23h04

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira à noite em Campinas, mais dois integrantes da quadrilha do megatraficante Juan Carlos Ramírez Abadía. As investigações levaram ao colombiano Jaime Verano Garcia, irmão do chefe da célula do bando em Curitiba, Victor Garcia (preso na terça-feira) e o motorista do bando em Campinas, o brasileiro Eliseu Almeida Machado. A operação desta quinta-feira começou com o mandado de busca na casa de Jaime na Vila das Verbenas afastado do centro da cidade, no bairro Gramado, repleto de condomínios de alto padrão. Os federais encontraram dinheiro enterrado na casa alugada pelo colombiano. Com a prova material em mãos, os federais prenderam Garcia em flagrante. Ele os levou à casa do motorista. Apesar de a casa ser muito simples, Machado guardava R$ 800 mil e outra quantia em Euros no armário. Segundo vizinhos, que pediram para não serem identificados, Garcia, a mulher, a filha de 1 ano, e um filho de 5, eram bastante educados, mas reservados. Cumpria todas as obrigações do condomínio, nunca atrasou um pagamento, e por vezes recebia visitas com carros luxuosos, algo comum na região. Um episódio que chamou a atenção do síndico foi o fato de Garcia construir uma churrasqueira no fundo da casa (mesmo sem ser o dono). Depois da operação da PF os moradores imaginam que obra tenha sido a tática para esconder o dinheiro. Interrogatório Nesta quinta-feira, homens da Agência de Combate às Drogas (DEA, na sigla em inglês) do governo americano e da polícia colombiana interrogaram o traficante Juan Carlos Ramírez Abadía ao lado de agentes da Polícia Federal. Um funcionário da DEA disse ao Estado que a cooperação de Ramírez Abadía interessa à DEA porque pode levar à prisão de outros líderes do Cartel do Norte do Vale que continuam foragidos. "Para vocês (da DEA), eu falo nos Estados Unidos", disse o colombiano. O interrogatório do megatraficante preso em São Paulo durou seis horas. Ele revelou muito pouco do que sabe. Admitiu que mantinha negócios no Brasil, negou que traficasse drogas no País, mas confirmou sua participação no tráfico internacional. Ramírez Abadía falou pouco com os policiais estrangeiros. Evitou responder sobre a estrutura de sua organização no exterior, pois quer trocar o que sabe num acordo para a redução de sua pena nos EUA. "Se ele falar aqui, os americanos perdem o interesse", disse o delegado.  À noite, o colombiano saiu escoltado por agentes para uma diligência no interior de São Paulo. Até o fim da semana ele seria transferido para um presídio federal. Se for extraditado para os EUA, o colombiano só poderá pegar até 30 anos de prisão - exigência da Justiça brasileira para concordar com a extradição. Um funcionário da DEA disse ao Estado que os acordos de cooperação com a redução da pena como o pretendido por Ramírez Abadía são comuns nas investigações da agência. Mas não há garantia para redução, uma vez que a sentença é sugerida pelo DEA e Departamento de Justiça ao juiz do caso, que tem o poder de decidir. No ano passado, o colombiano William Rodriguez Abadía, um dos chefes do Cartel de Cali, entregou-se a agentes do DEA no Panamá, delatou comparsas e acabou extraditado para os Estados Unidos. Em troca, sua pena foi reduzida para 21 anos de prisão.

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