Presos 4 suspeitos de fraudar inspeção veicular

Dois são funcionários da Controlar; grupo cobrava propina para aprovar veículos que seriam reprovados no teste

Camila Brunelli - O Estado de S.Paulo,

23 Novembro 2012 | 02h19

A Polícia Civil prendeu em flagrante quatro suspeitos de burlar a inspeção veicular de São Paulo. Dois são funcionários da Controlar, empresa responsável pelo serviço. Com a ajuda de um intermediário, Avilmar Pereira, de 34 anos, os inspetores Adilson Jorge de Morais, de 33, e Pedro Phillipe Polatto, de 22, aprovavam veículos inaptos em troca de propina, segundo o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).

O quarto suspeito é o empresário Francisco Almeida dos Santos, de 56 anos, que tentava regularizar sua frota ontem de manhã. Ele vai responder pelo crime de corrupção ativa. Os outros serão enquadrados por corrupção passiva e formação de quadrilha. Pereira já tem passagem pela Justiça por estelionato.

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público recebeu denúncia anônima sobre o esquema há cerca de três meses. O delegado responsável pelo caso, Anderson Giampaol, disse que cerca de 30 veículos passaram pelo esquema durante a investigação.

Os proprietários dos veículos aprovados irregularmente serão chamados para prestar depoimento e devem ser indiciados por formação de quadrilha e corrupção passiva. Outros dois intermediários foram identificados. "O objeto da fraude é caminhão a diesel. Não vimos carros ou motos", disse Giampaoli.

Para ter o veículo aprovado, o "cliente" do esquema agendava a inspeção normalmente pela internet, mas escolhia o posto do Jaguaré, no turno da manhã. Esse era o local e período de trabalho dos inspetores Morais e Polatto. Segundo a polícia, eles faziam a pré inspeção manual e, na segunda fase, burlavam o sistema automatizado.

Investigação. A Controlar informou que "repudia qualquer prática fraudulenta e está colaborando com as investigações, para que o fato seja esclarecido". A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente afirmou que dois técnicos foram destacados para fazer uma auditoria extraordinária no posto do Jaguaré.

A promotora Sandra Rodrigues, do Gaeco, ressalta que o caso não tem nada a ver com a suposta irregularidade na renovação do contrato com a Controlar em 2008, que resultou em denúncia por fraude à Lei de Licitações do prefeito Gilberto Kassab (PSD) e do ex-presidente da empresa Ivan Pio de Azevedo. "Esse caso é algo episódico que envolve apenas dois funcionários da Controlar desse posto. Não tem nenhuma relação com a investigação de improbidade."

A inspeção veicular é obrigatória em São Paulo desde 2008. A Controlar, empresa responsável pelo serviço, já esteve envolvida em problemas com a Justiça, quando, em novembro de 2011, o Ministério Público contestou a prorrogação do contrato por dez anos. Em outubro deste ano, o MPE denunciou o prefeito Gilberto Kassab por crime de responsabilidade na contratação da empresa.

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