Presos 22 suspeitos de vandalismo na Fernão Dias

Acusados teriam participado de incêndios a ônibus e caminhões na rodovia, além de arrastões no Jaçanã

Luciano Bottini Filho , O Estado de S. Paulo

09 Dezembro 2013 | 20h51

Após mais de um mês de investigações com imagens de TV, a Polícia Civil deteve hoje, dia 9, 22 suspeitos de participar em outubro dos incêndios a ônibus e caminhões na Rodovia Fernão Dias e arrastões na região do Jaçanã, zona norte de São Paulo. Os atos de vandalismos ocorreram após a morte de um adolescente de 17 anos em uma abordagem policial, no domingo de 27 de outubro.

Os suspeitos foram identificados usando as gravações nas áreas dos ataques transmitidas em tempo real em rede nacional, sem que nenhum deles fosse detido por policiais na hora. Na cena mais emblemática, dois homens encapuzados sobem em um caminhão-tanque que bloqueou a Fernão Dias. Eles seriam Bruno de Lucca e outro suspeito de apelido Tiaguinho. A defesa de Lucca nega que ele estivesse pendurado no veículo e afirma que ele estava na casa da avó. A mãe de Tiaguinho esteve na delegacia e apenas afirmou que ele era, dos quatro filhos, o que mais dava trabalho e já tinha passagens pela polícia.

A operação que prendeu os supeitos, chamada de 9 de Outubro por causa da data, começou ontem por volta das 6h. Os 22 detidos foram pegos em cerca de 30 minutos, com uma equipe de 80 agentes que cumpriram 18 mandados de busca e apreensão nas redondezas, incluindo quatro pontos de droga. Os endereços, de acordo com a polícia, foram indicados por testemunhas do bairro, que reconheceram os envolvidos na imagens de TV, mesmo mascarados.

Sete homens foram presos em flagrante por tráfico com cerca de 1kg de drogas e onze tiveram pedidos de prisão temporária enviados à Justiça por associação criminosa. Quatro dos detidos são menores de idade. Do grupo detido, onze já tinham passagem pela polícia. Eles poderão ser indiciados por roubo, furto, crime de dano e incêndio. Nas residências, foram levadas roupas que teriam sido usadas no dia dos crimes e fruto de arrastões.

As famílias dos detidos ficaram ontem à espera de informações da 4ª Delegacia Seccional de São Paulo, muitas delas revoltadas com a operação. "Pegaram o celular da minha filha porque eu não achei a nota fiscal", disse Neli dos Santos Dias, de 50 anos.

Já a mãe de um dos detidos, Patríca Lucas Mendes, de 38 anos, alega que roupas com etiquetas apreendidas pela polícia foram compradas em um bazar de igreja no começo do ano para serem revendidas. Ela mostrou a nota fiscal de R$ 400 pagas por moto sem placa levada da sua casa. "Parecia filme de gângster", diz .

Facção. O delegado titular da 4ª Seccional, Ismael Rodrigues, descarta envolvimento de líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) nos ataques. A suspeita era de que houvesse uma mensagem (salve) autorizando os atos de vandalismo, de dentro dos presídios. "Todo mundo fala de facção, eu sou meio cético", diz Rodrigues. "São bandidos, como quaisquer outros por aí". Ele diz que pode até haver integrantes do grupo do PCC, mas sem ocupar posições de liderança.

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