Preso um dos assaltantes da joalheria Tiffany

Imagens do Shopping Cidade Jardim e dica de informante levaram a bandido; ele contou detalhes do crime, mas não tinha nenhuma joia

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2010 | 00h00

A divulgação das imagens dos ladrões que invadiram a joalheria Tiffany no Shopping Cidade Jardim, na zona sul de São Paulo, levou à prisão de um dos acusados. Jefferson Luiz de Lima Tomé, de 31 anos, foi detido em casa ontem de manhã e confessou ter participado do crime como motorista de um dos carros da quadrilha. Em menos de 48 horas, a polícia começou a desvendar o roubo à joalheria.

Era cedo quando os policiais do 42.º Distrito Policial, no Parque São Lucas, zona leste de São Paulo, bateram na porta de Tomé. Suspeito de roubos a caixas eletrônicos, o homem mantinha uma submetralhadora calibre 9 mm escondida atrás da geladeira de casa. A prisão ocorreu diante da mulher e dois filhos. "Um informante nos disse que ele havia praticado um roubo no fim de semana", afirmou o delegado Marco Antônio Bernardino.

Por causa da submetralhadora, Tomé foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma. Ele contou, ao depor, que foi convidado por um amigo, dois dias antes do crime, para participar da ação, por causa da submetralhadora. Tomé afirmou que se encontrou com o bando horas antes do crime.

Combinaram que ninguém usaria seu nome verdadeiro durante o roubo, que todos usariam "Zé". O bando dos Zés moraria na região de São Mateus, no limite com o município de Santo André, cidade onde um dos carros usados no crime, um Golf, foi roubado meia hora antes da invasão à joalheria.

Refém. Tomé contou que entregou a submetralhadora para outro integrante do grupo e recebeu um revólver calibre 38. Sua tarefa foi dirigir o Gol azul usado pelo bando. Na invasão, o acusado foi filmado pelo sistema de câmeras do shopping. Tinha uma meia-calça enrolada na cabeça. Quando fugiram, os ladrões levaram como refém o segurança F.F., de 31 anos. Ele foi obrigado a entrar no Gol e levado até o Brooklin, onde o carro foi abandonado.

Aos policiais do 34.º DP, o segurança disse que os bandidos continuaram a fuga em um táxi e em uma moto. Mas, ao confessar o crime, Tomé afirmou que o bando reuniu as armas em uma sacola e ele e seu amigo receberam a tarefa de levá-las embora.

Eles apanharam dois ônibus até o Hospital das Clínicas, onde pegaram o metrô. Desceram na Estação Itaquera e seguiram de ônibus até São Mateus, onde se separaram. Tomé disse que ficou apenas com a submetralhadora. Seus comparsas teriam dito que iam pagá-lo mais tarde. Com o acusado, a polícia não achou dinheiro nem joias roubadas. "Ele é mão de obra do crime", afirmou o delegado. A polícia agora tenta identificar os demais integrantes do bando.

O diretor mundial de segurança da Tiffany chegou ontem ao Brasil para avaliar a segurança da loja assaltada. A joalheria e o shopping reforçaram a segurança. Até as 21 horas, a Tiffany não havia informado a polícia sobre o valor roubado.

PARA LEMBRAR

Bando agiu em tarde de maior movimento

Na tarde de domingo passado, dia de maior movimento do Shopping Cidade Jardim, na zona sul de São Paulo, oito homens fortemente armados de metralhadoras e de escopetas invadiram a Tiffany e assaltaram a joalheira. Os bandidos tiveram a oportunidade até de escolher quais mercadorias deveriam ser levadas.

Numa ação de apenas três minutos, eles causaram pânico no centro de compras de luxo da capital. Os clientes, ao ouvirem um disparo, assustados, chegaram a se jogar no chão.

Os criminosos entraram no Cidade Jardim pelo serviço de manobristas, em dois carros.

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