Preso suspeito de matar irmão do ex-secretário de Habitação de Jandira

Conhecido como Tsunami, acusado foi baleado por policiais, na segunda-feira, pois teria reagido à abordagem; investigadores veem indícios de ligação com morte do ex-prefeito da cidade

Ricardo Valota, do Estadão.com.br,

01 de junho de 2011 | 03h49

SÃO PAULO - A Polícia Civil de Jandira, na região oeste da Grande São Paulo, afirma já ter em mãos um dos assassinos do ex-policial militar Jairo Lemes de Aquino, de 39 anos, irmão do ex-secretário de Habitação da cidade, Wanderley Lemes de Aquino, apontado pelo Ministério Público Estadual como um dos envolvidos na morte do prefeito Walderi Braz Paschoalin, de 62 anos.

 

Conhecido como Tsunami, Weverton Cavalcante de Britto, de 29 anos, que já possui passagens por furto e homicídio, foi baleado por investigadores da delegacia de Jandira por volta das 20h30 desta segunda-feira, 31, na avenida Zélia, próximo ao limite com Barueri. Apontado pela polícia como um dos assassinos do ex-policial, Tsunami estava de carona numa perua Towner, pertencente à mãe de um dos cinco criminosos detidos pela mesma equipe de investigadores. Britto teria reagido à abordagem dos policiais.

 

O outro criminoso, que estava ao volante da Towner, também armado, se entregou. Com a dupla, os investigadores apreenderam uma pistola calibre 9mm e um revólver calibre 38. Outros três membros da mesma quadrilha, entre eles um adolescente de 17 anos, foram detidos numa casa próxima após um deles ligar para o celular de um dos ocupantes da Towner. Ao atender ao telefone, um dos policiais se passou por um dos criminosos e conseguiu descobrir a localização exata do trio, com o qual os investigadores apreenderam porções de maconha.

 

Investigação. A polícia não quer afirmar que a morte do ex-policial seja queima de arquivo. "Não podemos, ainda, afirmar que há uma ligação entre a morte do ex-policial com o assassinato do prefeito, mas tudo leva para esse caminho. Jairo com certeza tinha envolvimento com o crime organizado na cidade", afirmou o delegado Zacarias Tadros, responsável pelo inquérito que apura a morte do ex-policial.

 

Ex-soldado da 4ª Companhia do 20º Batalhão da Polícia Militar, Jairo, quando foi assassinado, na noite do último domingo, 29, estava afastado de suas funções desde 2001, pois começou a ser investigado pela morte do vereador de Jandira Márcio Soares de Almeida. De acordo com o delegado, após o prefeito Braz ser assassinado, foi determinada a reabertura de todos os casos de mortes de políticos na cidade. O ex-secretário de Habitação Wanderley de Aquino, que é irmão de Jairo e está preso por suposta participação na morte do prefeito, na época era suplente de vereador.

 

Execução. Jairo foi morto a tiros, por volta das 22h30 de domingo, 29, em frente à casa da amante, na Rua Laurindo Lopes, no Jardim Belmonte, em Jandira. Ao sair à porta após ser chamado pelo nome, o ex-policial foi baleado e morreu quando era atendido no pronto-socorro municipal de Jandira. O policial chegou a ficar preso por três anos sob a acusação de tentativa de homicídio. "Já sabemos que Jairo foi morto, segundo testemunhas, por três ou quatro pessoas, que fugiram em um veículo preto, e que uma delas é o Tsunami", acrescentou o delegado.

 

Prefeito. Braz Paschoalin foi fuzilado na manhã de 10 de dezembro de 2010. No momento do crime, que teria sido negociado por R$ 600 mil e motivado por disputa de poder dentro da prefeitura, a vítima não utilizava seu carro blindado, que naquele dia amanhecera com um pneu furado. Braz saiu de casa no veículo do motorista, que também foi baleado quando ambos chegavam a uma emissora de rádio onde Braz participaria de um programa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.