Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

Preso suspeito de matar aluno da USP

Detido em Osasco, principal acusado do crime na Cidade Universitária ainda teria recebido peças roubadas de casa de secretário

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

15 Julho 2011 | 00h00

A polícia prendeu, na noite de anteontem, o principal suspeito de ter atirado e matado no dia 18 o estudante Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, no estacionamento da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). O auxiliar administrativo Daniel de Paula Celeste Souza, também de 24, foi detido por porte de arma em Osasco.  

 

 

 Veja também:

link Acusado de crime na USP se entrega, mas é liberado

Policiais da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) o prenderam com um revólver 38 de numeração raspada escondido na cintura. Segundo a polícia, ao ser abordado, Souza disse que pegou a arma emprestada e confessou que pretendia roubar carros para desmanche. Ele ficará preso temporariamente por 20 dias e a Polícia Civil deve pedir à Justiça que seja decretada sua prisão preventiva.

Souza já responde por crimes contra o patrimônio: roubo a residência e de veículo. Segundo a polícia, todos praticados em regiões ao redor da Cidade Universitária, na zona oeste de São Paulo - perto do Ceagesp, na Praça Pan-Americana e em Osasco.

Há ainda suspeita de que ele tenha recebido itens roubados em fevereiro da casa do secretário de Transportes e Logística do Estado, Saulo de Castro Abreu Filho, no Alto de Pinheiros.

Segundo o delegado da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) Maurício Guimarães, que investiga a morte do estudante da USP, Souza foi delatado por seu comparsa no crime, Irlan Graciano Santiago, de 22 anos, que confessou ter participação na tentativa de roubo que terminou com a morte de Felipe. Santiago o acusou de ser o autor do disparo. A hipótese ainda será avaliada pela polícia, que pode fazer uma acareação para ver se há contradições na versão dos bandidos.

"O que está preso sempre põe a culpa da parte mais suja e pesada ao que fugiu ou morreu. Na cabeça dele (Irlan), isso vai resolver muito. Não vai. Os dois são coautores de latrocínio. Em termos de pena não vai significar praticamente nada, mas é um hábito muito comum entre os criminosos," disse Guimarães.

Em 9 de junho, Santiago se apresentou de forma voluntária, acompanhado pelo advogado Jefferson Badan, à Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Prestou depoimento e foi liberado. Foi preso preventivamente sete dias depois e, durante interrogatórios, teria dado informações que levaram à prisão de Souza.

Segundo a polícia, os dois eram moradores da Favela San Remo, vizinha ao câmpus Butantã da USP.

Em depoimento, a mãe de Daniel Souza, Terezinha Celeste, disse que o filho deixou a favela na madrugada do crime com um colchão e a roupa do corpo. Outros informantes da região teriam apontado que ele teve participação no assassinato.

"Ela perguntou: "Você tem alguma coisa a ver com o que aconteceu ontem à noite?" E ele respondeu: "Não posso falar, mas tenho medo de sofrer represália." E sumiu no dia seguinte," relatou Guimarães. "Para a polícia, em termos de autoria, o caso da USP está solucionado."

De acordo com o delegado, ambos já se conheciam "de boteco" da favela e provavelmente são coautores em outros crimes praticados nas imediações da USP.

Souza prestava depoimento ontem à noite em Osasco. A arma apreendida será avaliada em perícia. Ele continua preso na cidade. O DHPP vai solicitar a transferência para São Paulo, para que ele seja interrogado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.