Jose Patricio/AE
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Preso receptador de joias de bairros nobres

Polícia vai analisar 150 itens encontrados em escritório de comerciante na Sé e investiga se foram levados de joalherias de shoppings da cidade

, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2011 | 00h00

José Ilton Lopes da Silva mantinha seu escritório na região da Praça da Sé, centro de São Paulo, havia pelo menos 30 anos. Conhecido no ramo de compra e venda de joias, ele foi preso anteontem acusado de receptação de peças roubadas em casas e semáforos de bairros nobres. Na sala mantida por ele, sem alvará nem empresa aberta, foram apreendidos 150 itens, entre pedras preciosas, relógios de grife e anéis feitos sob encomenda.

Para a polícia, Silva era um dos principais receptadores de produtos "sem origem" da cidade. Segundo investigadores, os "negócios" do acusado incluem até equipamentos eletrônicos. Ao ser preso, Silva estava com um iPhone roubado há uma semana de um casal em um semáforo da Avenida 9 de Julho.

Segundo o delegado Júlio César Teixeira, da 2.ª Delegacia de Repressão ao Roubo de Joias do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic), as investigações começaram há três meses, por meio de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça. "Ele (Silva) comprava as joias por menos da metade do que elas valem", afirma. "Estamos investigando sua relação com ladrões, inclusive o que roubou o celular do casal."

Investigação. O acusado também é suspeito de derreter ouro no escritório, onde foram encontradas pérolas e outras pedras soltas. Além das joias, foram recolhidos equipamentos para testar autenticidade do ouro, uma balança e uma máquina fotográfica digital, provavelmente usada para divulgação dos produtos na internet. Para atrair clientes, a polícia diz que Silva usava os chamados homens-placa do centro.

O delegado não descarta a possibilidade de as joias também pertencerem a grandes joalherias de shoppings. "Isso tudo será investigado. Sabemos que um anel é de uma designer e já entramos em contato. É uma peça exclusiva, que pode ter sido feita por encomenda."

No escritório, policiais encontraram extratos de várias contas bancárias de Silva, indicando valores entre R$ 50 e R$ 60 mil. Havia ainda R$ 3 mil em dinheiro, cheques em branco e outros talões novos. Agora, as joias e os relógios passarão por perícia e o delegado espera que vítimas compareçam ao Deic para reconhecimento dos objetos.

O escritório de Silva, na Rua Benjamin Constant, seria alugado. O dono do imóvel não foi localizado pela reportagem nem os advogados do acusado.

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