Preso por homicídios, Batoré tenta fuga de prisão em Guarulhos

Ele e mais dois detentos renderam funcionário, mas agentes conseguiram detê-los durante o dia de visitas

Josmar Jozino, do Jornal da Tarde,

12 de fevereiro de 2008 | 00h14

A diretoria da Penitenciária Adriano Marrey, em Guarulhos, na Grande São Paulo, ainda não apurou como o preso Fábio Paulino, de 24 anos, o Batoré, teve acesso a duas pistolas automáticas e a um revólver. Ele e os detentos Marcelo Ribeiro Ferreira, o Peba, e Márcio dos Santos Fidélis, o Azeitona, tentaram escapar do presídio no domingo, 10. Os três dominaram um funcionário e por pouco não chegaram ao portão principal. Agentes agiram rápido e evitaram a fuga. Era dia de visita na penitenciária. Por volta do meio-dia, os presos foram à enfermaria e pegaram a roupa de um funcionário. Depois, seguiram para a cozinha e conseguiram chegar à revisora, local de entrada e saída de viaturas. Agentes penitenciários, no entanto, perceberam a ação e fecharam a tempo o portão principal da unidade. Os detentos, armados, ameaçaram atirar. Mas foram convencidos por outros presos a desistir da idéia, pois poderiam ferir os visitantes. Havia centenas de mulheres, mães e filhos de presidiários na unidade. O clima ficou tenso. Agentes penitenciários fizeram logo uma exigência: mandaram Batoré e os dois parceiros entregar as armas. Os três contavam com a ajuda de outros 13 presos. Batoré, a princípio, não quis devolver a pistola automática. Os outros detentos prometeram entregar as armas. Porém, antes, também apresentaram uma reivindicação: pediram aos funcionários que não antecipassem, como castigo, o fim do horário de visitas. O pedido dos presos foi atendido. O horário de visita só terminou às 17 horas. A promessa, no entanto, não foi cumprida. Os presos só entregaram duas armas. A terceira não foi localizada. Nesta terça, agentes penitenciários devem fazer uma blitz na unidade, com apoio de homens da Tropa de Choque da PM. Tensão Agentes penitenciários contaram ao Jornal da Tarde que o dia continuou tenso na unidade após a tentativa de fuga. Os presos não saíram para o banho de sol nesta segunda-feira, 11. De acordo com funcionários, Batoré, Azeitona e Peba e os outros 13 presos devem ser removidos na terça-feira, 12, para cumprir castigo em outro presídio, possivelmente do Interior.  Em 15 de janeiro deste ano, Batoré foi preso em São Miguel Paulista, na zona leste da capital, acusado de roubo de carro. Dias depois, ele foi transferido para a Penitenciária Adriano Marrey. Já o preso Peba é apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e considerado o torre (chefe) da unidade prisional. Na última sexta-feira, agentes evitaram uma fuga em massa no presídio. Durante blitz realizada no Raio 3, onde estão recolhidos 450 presos, funcionários encontraram um túnel de 20 metros de extensão. As escavações já estavam próximas à muralha. Foram necessários três caminhões para retirar a terra e uma carreta de concreto foi utilizada para tapar o buraco. Oito fugas  Batoré fugiu oito vezes da Fundação Casa (antiga Febem). Apontado como autor de 15 homicídios quando era menor de idade e de ter cometido pelo menos 50 seqüestros relâmpago, ele é acusado de chefiar outros menores que cumpriam pena na fundação. Em 6 de dezembro de 2001, ocorreu sua última fuga. O menor foi resgatado com a ajuda de dois homens armados com pistolas calibre 380. Na ocasião, Batoré estava internado na unidade de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, e seguia para um depoimento no Fórum do Brás, na região central da Capital. No meio do caminho, a Kombi onde ele estava sendo transportado com escolta foi interceptada pela dupla de homens.

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