Alex de Jesus/O Tempo
Alex de Jesus/O Tempo

Preso há 1 ano, Bruno treina e espera júri

Goleiro improvisa bate-bola em pátio da prisão; corpo de Eliza ainda está sumido

Eduardo Kattah e Marcelo Portela, O Estado de S.Paulo

02 Julho 2011 | 00h00

Aos familiares e à noiva Ingrid Calheiros Oliveira, que o visitam na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG), o ex-goleiro Bruno Fernandes, de 26 anos, garante que vai voltar aos gramados. Na quinta-feira, dia 7, faz 1 ano que o atleta está preso, acusado do sequestro e homicídio de Eliza Samudio, desaparecida desde 10 de junho de 2010.

De segunda a sexta-feira, o goleiro deixa a cela para um treinamento de duas horas no pátio de cimento do pavilhão. Na última terça-feira, mudou a rotina: foi à Assembleia Legislativa de Minas e confirmou a denúncia da noiva, que acusou uma juíza e um advogado de tentativa de extorsão. Ele chorou, trocou carinhos com Ingrid, negou as acusações contra ele, mas não falou sobre o suposto filho com Eliza.

A cerca de 1,5 mil quilômetros dali, em Campo Grande (MS), a mãe de Eliza, Sônia Fátima Moura, de 44 anos, dedica seu tempo à criação do neto, Bruninho. Para o Ministério Público Estadual e a Polícia Civil, a mãe da criança foi assassinada em Minas.

Os defensores de Bruno e dos outros acusados do crime mantêm a batalha na Justiça. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) já recebeu 59 pedidos de habeas corpus. Os advogados de defesa também recorreram contra a sentença da juíza Marixa Fabiane Lopes, do Tribunal do Júri de Contagem, que determinou o julgamento por júri popular de Bruno e outros três acusados (veja quadro ao lado).

A maior polêmica do caso é que o corpo de Eliza nunca foi encontrado. J., primo adolescente do goleiro, disse que ela foi esquartejada e partes de seu corpo foram dadas aos cães do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola. Responsável por investigar o caso, o delegado Edson Moreira diz que a ausência do corpo não impediu a elucidação do crime. Moreira acredita que a versão do adolescente é falsa, mas está convicto de que o ex-policial sumiu com os restos mortais da jovem. "Se ele resolver falar, acho que vamos encontrar também outros corpos."

Prisão. Bruno está sozinho em uma cela de 4 metros quadrados com cama de alvenaria, vaso sanitário e chuveiro. Ele tem uma TV de 14 polegadas e um rádio, dados pela família. A avó Estela Trigueiro de Souza é quem mais o visita, sempre levando comida para o neto. "A gente fica doido que essa tempestade passe logo e ele volte a jogar a bolinha dele", comentou o tio de Bruno, Vitor (que não quis dar o sobrenome), caçula dos 16 filhos de Estela.

Arredia sobre o caso, a família de Bruno tenta se ajustar à situação. O goleiro conseguiu R$ 30 mil na venda de dois apartamentos (na planta) no Rio. Bruno também colocou à venda, por R$ 800 mil, o sítio em Esmeraldas onde Eliza teria permanecido em cárcere privado. No entanto, a mãe de Eliza conseguiu na Justiça a indisponibilidade do sítio e de um apartamento do goleiro no Recreio dos Bandeirantes.

Advogado. Durante as investigações, foi o ex-advogado de Bruno quem muitas vezes roubou a cena. Ércio Quaresma foi substituído na defesa pelo advogado paranaense Claudio Dalledone Júnior após a veiculação de um vídeo amador no qual aparecia usando crack.

Dizendo-se recuperado e livre da suspensão temporária de 90 dias imposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Quaresma ressalta que considera Bruno como um filho e quer voltar a atuar no caso. "Já ocorreram consultas para eu voltar."

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