Preso grupo que fraudou mais de R$ 1 mi em empresas aéreas

Um casal foi preso em uma cobertura de frente para o mar, em Saquarema; bando fraudava venda com cartões

Pedro Dantas e Solange Spigliatti, O Estado de S.Paulo e estadao.com.br

12 de agosto de 2008 | 11h59

Parte de quadrilha acusada de fraudar a venda de bilhetes de empresas aéreas, que provocou o prejuízo de mais de R$ 1 milhão, foi presa no Rio. O casal foi identificado como autor intelectual do golpe adquirindo passagens com dados de cartões de crédito furtados por frentistas de postos de gasolina - um deles também preso.   A dupla é apontada como líder do bando, que vendia os bilhetes pela metade do preço a cerca de 80 clientes habituais, entre eles jogadores de futebol, profissionais liberais e, principalmente, militares da Marinha do Brasil.   O bando adquiria passagens aéreas das empresas e vendia os bilhetes pela metade do preço. Como os cartões eram roubados, a empresa acabava não recebendo o valor da passagem. Três golpistas continuam foragidos e alguns dos clientes são suspeitos de terem conhecimento que os tíquetes eram obtidos de maneira fraudulenta e vão depor.   "A investigação começou em janeiro deste ano após denúncias da Web Jet. Apenas esta empresa teve o prejuízo de mais de R$ 1 milhão no período de uma ano e meio com a fraude desta quadrilha, que também aplicou o golpe em outras companhias aéreas", declarou o delegado-substituto da Delegacia de Roubos e Furtos, Maurício Luciano de Almeida e Silva.   De acordo com o policial, a fraude era simples e o golpe é comum contra as empresas aéreas. O frentista José Torquato, de 46 anos, copiava os dados ou roubava os recibos de cartões de créditos dos fregueses de um posto de gasolina na Barra da Tijuca, bairro nobre da zona oeste do Rio, e repassava ao casal Claudia Vasconcelos Martins, de 25 anos, e Renato Carneiro Cunha Neto, de 32 anos.   "Claudia das Passagens", como era conhecida em Niterói, vendia as passagens a clientes de todo o País por até metade do preço cobrado pelas companhias aéreas e pagava utilizando os cartões de créditos dos clientes do posto de gasolina. Neto, o marido dela, captava clientes, operava o dinheiro e também efetuava vendas, segundo a polícia.   "Quando a vítima via o extrato cancelava a compra junto ao cartão de crédito que, por sua vez, suspendia o pagamento à companhia aérea. No entanto, muitas vezes, o passageiro já tinha embarcado", disse o delegado.   Os fraudadores foram descobertos quando a polícia começou a abordar pessoas que compravam passagens com antecedência. "Abordamos estas pessoas no aeroporto e trouxemos para a delegacia. Elas alegaram desconhecer que as passagens eram obtidas de forma ilícita e revelaram quem vendia os bilhetes", contou Silva.   Sete mil horas   A polícia chegou à dupla após sete mil horas de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça e de investigação que começou em janeiro, ouvindo dezenas de compradores das passagens aéreas. Cláudia vendia 20 passagens por dia e chegou a abrir um escritório de fachada em Niterói, mas operava o esquema pelo telefone de sua luxuosa cobertura no balneário de Saquarema, região dos Lagos.   No período em que praticou o golpe, o casal acumulou um patrimônio considerável e movimentou cerca de R$ 400 mil na conta de um "laranja". Além de morar em um apartamento dúplex com piscina, possuíam uma moto e um carro importados.   Sem antecedentes criminais, o trio foi indiciado por formação de quadrilha e estelionato cuja pena máxima é de sete anos de prisão. Entre os foragidos, estão um homem que seria o 'laranja' da quadrilha e cedia a conta corrente para receber os depósitos dos clientes, um outro frentista que também fornecia os cartões de crédito e um homem que captava clientes.   "Alguns clientes conversavam com Cláudia por meio de códigos. Isso pode indicar que sabiam que as passagens eram obtidas de forma ilícita. Estas pessoas estão sendo identificadas e serão convocadas para depor. Se comprovada a culpa, eles responderão por receptação cuja pena é de até quatro anos", revelou o delegado. Nenhum dos acusados quis dar declarações. A Assessoria de Imprensa Web Jet foi procurada, mas informou que a empresa ainda decidia se iria se pronunciar sobre o caso.   Atualizado às 19h30

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