Preso em Minas ex-policial acusado de estrangular modelo

Segundo a polícia, Marcos Aparecido dos Santos se rendeu após cerco à casa onde estava em Venda Nova, região metropolitana de Belo Horizonte

Eduardo Kattah e Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2010 | 00h00

Apontado como autor do assassinato da ex-modelo Eliza Samudio, o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Marquinhos Paulista, foi preso no início da noite de ontem no Jardim Leblon, em Venda Nova, na região metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com a polícia, ele se rendeu após a casa em que estava ser cercada.

A prisão temporária por 30 dias de Santos havia sido decretada horas antes pela juíza Marixa Fabiana Lopes Rodrigues, do Tribunal do Júri de Contagem, também na região metropolitana da capital mineira. Ao chegar ao Departamento de Investigações, em Belo Horizonte, Santos usava uma touca preta na cabeça. Ele não se pronunciou.

Santos é dono da casa em Vespasiano, em que, segundo testemunhas, Eliza Samudio foi morta. Anteontem, investigadores fizeram buscas no local, onde foi apreendido um carro utilizado pelo ex-policial em que havia vestígios de sangue. O imóvel tem um circuito de câmeras que, segundo a polícia, ajudaram Santos a escapar naquele dia. O ex-policial mora na casa com a mulher e os três filhos.

Expulsão. O acusado foi expulso da Polícia Civil mineira em 22 de julho de 1992 após um processo administrativo. Ele havia ingressado na corporação em 2 de março do ano anterior. No bairro onde fica a casa usada no crime, o nome de Bola está relacionado a pelo menos mais dois crimes: o espancamento de um suposto usuário de drogas e a morte de dois homens acusados de roubar um carro. "O pessoal tem medo dele aqui", afirma o comerciante M.P., de 27 anos. "No fim do ano passado, teve um roubo de carro. O dono avisou Marcos, que foi lá, encontrou os caras e "passou" (matou) eles", diz.

Também moradora do bairro, a dona de casa G.S., de 60 anos, afirma que seu filho foi espancado pelo ex-policial. "Ele bate em todo mundo que mexe com drogas no bairro", diz.

A Polícia Civil não confirma os casos, mas afirma que Santos tem vários antecedentes criminais. "O Paulista é especialista em matar", afirma o delegado Edson Moreira, sem citar as passagens policiais do suspeito.

O advogado Roberto Assis Nogueira, defensor do ex-policial, diz que seu cliente tem boa conduta. "Essas coisas aconteceram no passado. E, atualmente, o que ele fez de errado?", questiona. "Estive com ele duas vezes e posso garantir que o Marcos não cometeu nenhum crime. Pelo que me disse, ele nem tem conhecimento do Bruno", disse.

Apelidos. Para o delegado, Santos pode ter se apresentado com apelidos diferentes a algumas pessoas para dificultar a investigação. O jovem J., de 17 anos, conheceu o ex-policial como Neném ou Nem. Eliza pode ter conhecido o ex-policial como sendo Russo, segundo Moreira. A polícia investiga como Santos e Bruno se conheceram. Umas das possibilidades é que tenham sido apresentados por um ex-policial militar que trabalha como segurança do atleta.

Até o final da noite de ontem, continuavam foragidos três acusados de envolvimento no caso: o administrador do sítio de Bruno, Elenílson Vitor da Silva, e dois amigos do goleiro, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha, e Flávio Caetano Araújo, o Flavinho.

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