Preso atualizava Facebook da Cela

Detento acusado de tráfico de drogas em cidade gaúcha fazia amigos e postava fotos pelo celular

O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2011 | 03h02

Agentes penitenciários do Presídio Regional de Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul, recolheram segunda-feira à noite celular e chip que um preso usava, da cela, para fazer amizades e postar seus dados e fotos em redes sociais da internet, como Facebook.

Segundo o titular da 4.ª Delegacia Penitenciária Regional, José Frighetto, o Serviço de Inteligência, que já investigava o caso, recebeu denúncia anônima de que as redes sociais eram acessadas de dentro da casa de detenção por Herbert Mozert Zimermann Moreira, de 28 anos, preso desde dezembro sob acusação de tráfico de drogas. Os agentes encontraram o aparelho e, o que é mais raro, o chip.

Feito o registro policial, o equipamento foi recolhido e o acusado de uso irregular, colocado em isolamento por dez dias. A polícia investiga como o celular chegou à cela, como era usado e se houve participação ou negligência de funcionários da cadeia. A perícia também vai analisar o conteúdo das mensagens enviadas e recebidas.

Segundo o delegado, análise inicial mostra que o presidiário usava as redes sociais para se comunicar com parentes, amigos e exibir fotos. "Em um primeiro levantamento não se observou relação com delitos", afirmou o delegado, em referência às postagens que exibem imagens de visitas de parentes e do pátio do presídio e às mensagens que buscam amizades. O resultado da investigação será remetido à Justiça para avaliação. O juiz decidirá pela aplicação de sanções disciplinares ou não ao preso.

Embora seja o primeiro caso de acesso a redes sociais de dentro de uma penitenciária de Passo Fundo, a apreensão de celulares é bastante comum em todo o Rio Grande do Sul. Frighetto afirmou que já houve casos de varreduras feitas pela manhã, à tarde e à noite e nas três ocasiões foram encontrados aparelhos com presidiários.

Uma tática comum nas cadeias é esconder o chip e esperar por novos aparelhos que, muitas vezes, são lançados de fora dos presídios, por cima dos muros. / ELDER OGLIARI

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