Preso acusado de matar as duas irmãs de Cunha

Foragido da Justiça disse que está arrependido e matou as adolescentes porque era hostilizado por elas; ao ver as fotos dos corpos, chorou

João Carlos de Faria, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2011 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

GUARATINGUETÁ

O foragido do sistema prisional Ananias dos Santos foi preso na madrugada de ontem em Cunha, a 225 quilômetros da capital paulista, pelo assassinato das irmãs Josely Laurentino de Oliveira, de 16 anos, e Juliana Vânia de Oliveira, de 15. Elas foram encontradas mortas em 28 de março, após oito dias desaparecidas. O acusado disse que praticou o crime porque as meninas o chamavam de fedido, feio e fedorento, entre outras ofensas.

Santos disse à polícia e à imprensa que está arrependido e, antes de entrar na carceragem da cadeia pública de Guaratinguetá, pediu perdão aos pais das meninas. Ele teria sentido "remorso" no momento do crime, enquanto atirava nas duas adolescentes, e chorou ao ver as fotos dos corpos.

"Queria saber por que ele fez isso", reagiu o pai de Josely e Juliana, José Benedito de Oliveira, ao saber da prisão. "Fiquei muito emocionada, mas estou tranquila agora e vamos esperar para ver se foi ele mesmo", disse a mãe, Iracema Maria de Oliveira.

Santos não reagiu à prisão e disse ter cometido o crime no mesmo dia do desaparecimento das estudantes. A arma - uma espingarda Remington calibre 22 de 15 tiros - foi encontrada enterrada a cerca de 50 quilômetros do local do crime, no distrito de Campos Novos. Estava dentro de um saco plástico, banhada em óleo para não enferrujar. Foi Santos mesmo quem levou os policiais ao local.

Crime premeditado. Segundo a polícia, Santos abordou as meninas logo após elas descerem do ônibus escolar, perto de casa. À delegada seccional de Guaratinguetá, Sandra Maria Pinto Vergal, ele confessou que as obrigou a seguir a pé até o local do crime e, ao passar por uma represa, mandou que elas jogassem as mochilas na água "para aliviar o peso". O crime teria sido planejado com uma semana de antecedência.

Durante as buscas, Santos teria ficado nas proximidades da casa dos pais - ele foi preso ontem na casa de uma irmã.

Reconstituição. Nos próximos dias, deverá ser feita a reconstituição do crime. "Existem alguns fatos que estão soltos. Precisamos ter certeza absoluta da autoria do crime", disse o delegado Marcelo Cavalcanti.

Santos poderá ser julgado por homicídio qualificado - assassinato cometido por motivo torpe e com impossibilidade de defesa das meninas. Após o fim do inquérito, ele deverá voltar para o Presídio Edgar Magalhães Noronha, em Tremembé, de onde saiu no indulto da Páscoa de 2009 e não voltou.

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