Preso acusado de assassinar grávida

Reconhecido por testemunha, suspeito de atirar na cabeça de Daniela quando ela chegava em casa fugiu de prisão de Guarulhos em 2011

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

12 Janeiro 2013 | 02h02

A polícia prendeu ontem o suspeito de ter matado na terça-feira Daniela Nogueira de Oliveira, de 25 anos, no Horto do Ypê, Campo Limpo, na zona sul de São Paulo. Na delegacia, Alex Alcântara de Arruda, de 22 anos, foi reconhecido por uma testemunha como o homem que atirou e matou a assistente administrativa, que estava grávida de nove meses - a criança foi salva em uma cesariana. O corpo da vítima foi enterrado ontem.

Uma denúncia anônima feita pela manhã levou a Polícia Militar até Arruda, que estava na Rua Nina Stocco, no Jardim Catanduva, perto do local do crime. Ele foi submetido ao reconhecimento de uma testemunha, que passou ao lado dele após o disparo e o viu com a arma que teria sido usada para matar Daniela. "Ele ficou ao lado de outras quatro pessoas apontadas como suspeitas de terem atirado e a testemunha apontou que foi ele com toda a certeza", disse o delegado Lawrence Luiz Fernandes Ribeiro, do 37.º DP (Campo Limpo), responsável pelo caso. A polícia pediu à Justiça a prisão temporária de Arruda.

O suspeito tem antecedentes criminais por dois roubos e estava foragido de uma penitenciária em Guarulhos, na Grande São Paulo, desde novembro de 2011. As outras quatro pessoas que foram apontadas como suspeitas de atirar contra Daniela foram ouvidas e liberadas.

A polícia procura agora o comparsa de Arruda. Imagens de câmeras instaladas em três condomínios ao lado do local do crime mostram que outro suspeito foi com o atirador até o local do crime, em uma moto, e depois o resgatou, a cerca de 100 metros dali. Para o delegado, não há dúvida de que se trata de um latrocínio (roubo seguido de morte).

Enterro. Cerca de 200 pessoas, entre amigos e parentes, foram ao velório e enterro de Daniela na tarde de ontem no Cemitério Parque dos Ipês, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. Uma bandeira do Brasil e faixas pedindo paz foram estendidas. "É um momento difícil, doloroso, mas a gente vai superar", disse o professor Gilsemar Araújo de Oliveira, de 23 anos, cunhado de Daniela. "A Gabi (filha da vítima) está aí, vai crescer firme e forte e vamos dar força para nossa família, para o meu irmão."

Segundo ele, novos protestos serão feitos para pedir menos violência no bairro. "A gente vai ter fé, lutar, promover a paz. Como a gente sofreu, vamos ajudar outras pessoas a não passarem pelo que nós passamos."

O cunhado de Daniela disse que não deseja o mal para o suspeito do crime. "Quero que façam justiça. Não quero que façam o mal. Desejo que ele reflita e sobreviva bem. Deus sabe o que faz. Ele pode passar mil informações sobre o que aconteceu que isso não vai amenizar nossa dor."

Segundo a família, o marido de Daniela, o gerente Josemar Araújo de Oliveira, de 26 anos, está bastante abalado e falará somente quando se sentir melhor.

A empresária Roseli Moreira Alves, de 42 anos, vizinha de Daniela, esclareceu ontem por que a assistente administrativa, mesmo grávida, estacionava do lado de fora do prédio e não na vaga de garagem, onde o marido dela deixava o carro. "Ela tinha dificuldade para estacionar, então o marido usava a vaga. Também não era para ter medo, porque dava uns 30 segundos entre o lugar onde estacionava e a portaria do prédio."

Protesto. A professora Marisa dos Santos Alves Ferreira, de 52 anos, é vizinha de onde Daniela morou até a adolescência, na Rua Souzanas, na Cohab Adventista, também na zona sul. Lá, os moradores fizeram um protesto pela paz com pedaços de pano branco nas janelas. Ela também foi ao enterro acompanhada de crianças que levaram faixas e cartazes pedindo paz. "A gente está em frangalhos", resumiu.

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