REUTERS/Josemar Goncalves
REUTERS/Josemar Goncalves

Presídio é atacado na Argentina e polícia investiga atuação do PCC

Unidade localizada ao norte de Buenos Aires foi atacada a tiros e vigilantes reagiram. Brasileiro foi preso e polícia montou uma operação para localizar outros criminosos. Autoridades acreditam na atuação do PCC

O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2018 | 18h17

SÃO PAULO - Um presídio na cidade argentina de Oberá, localizada ao norte de Buenos Aires e próximo da tríplice fronteira com Brasil e Paraguai, foi atacado a tiros na noite desta segunda-feira, 30. Nesta terça-feira, 31, um brasileiro foi preso acusado de envolvimento com o que está sendo classificado como tentativa de resgate de presos. Autoridades argentinas ainda buscam outros criminosos, enquanto investiga a relação do ataque com a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no país.

O ataque aconteceu à noite, por volta das 20h30, e os criminosos usaram armas longas. A guarda da penitenciária reagiu e atirou de volta, fazendo com que os envolvidos fugissem. Um carro foi abandonado nas imediações do local, onde foram encontrados munições de revólver calibre 38, miguelitos e mochilas, de acordo com informações dos jornais Clarín e do local El Territorio. 

A operação montada para prender os criminosos, e que continua em vigência, localizou, nesta terça, o brasileiro Carlos Eduardo Reinicke, de 36 anos. Ele foi encontrado após moradores vizinhos da penitenciária terem se deparado com o homem, que pedia água, comida e orientações para sair do local. A polícia foi acionada e o deteve para interrogatório. Reinicke é considerado foragido da Justiça brasileira.

De acordo com o Clarín, fontes do governo nacional estão ligando o ataque à captura, em novembro do ano passado, de uma quadrilha de brasileiros que tentou roubar um banco na localidade de El Soberbio. Régis Lopes, o Gordo, de 37 anos, Vanderlei Lopes, de 32, o Vando, e Juliane Cristina Cardoso, de 26, foram presos com um fuzil, uma pistola, um rifle, explosivos, munições e coletes. O grupo é apontado como responsável por dezenas de assaltos a bancos no Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul.

Vando está detido na prisão de Oberá, enquanto Régis está na unidade de Posadas, 94 quilômetros distante. Na semana passada, dois brasileiros foram detidos com passaportes falsos e a polícia suspeita que eles se juntariam ao grupo na tentativa de libertação dos criminosos. 

PCC no Paraguai e na Argentina

Segundo os jornais argentinos, essa foi uma tentativa inédita comandada por estrangeiros de atacar uma unidade prisional argentina. Os periódicos lembram que, em abril do ano passado, uma seguradora foi atacada no Paraguai, de onde foram roubados US$ 40 milhões. Um dos suspeitos foi preso na Argentina. 

No mês passado, a polícia paraguaia prendeu um líder regional do PCC que estava morando em Assunção. O governo argentino começará nesta quinta-feira, 2, a usar tropas do Exército para dar apoio no controle das fronteiras. 

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