Presidente nega ligação de eleição na Mangueira com morte

O presidente da Mangueira, Ivo Meirelles, negou ontem que o assassinato de Acir Ronaldo Monteiro da Silva, o 2K, acusado de tráfico, tenha ligação com a eleição para a presidência da escola de samba marcada pela Justiça para o dia 28. Ele foi executado a tiros na noite de domingo no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio.

MARCELO GOMES / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2013 | 02h03

Em março do ano passado, Meirelles acusou 2K e outras pessoas de terem invadido a quadra da escola e impedido a eleição para a presidência da Verde e Rosa. "Não tem ligação com a eleição porque nenhum candidato tem perfil de assassino. Nós denunciamos a invasão e demos nome aos bois. Mesmo assim, a imprensa dizia que eles eram 'supostos traficantes'. Agora, as pessoas têm certeza. O fim de um traficante é ser preso ou morto, como ele foi", disse Meirelles após depor na Divisão de Homicídios, no inquérito que apura a morte de 2K.

O sambista disse que está indignado com a decisão da Justiça de quebrar o sigilo bancário de suas seis contas correntes, em inquérito da 17.ª DP, no qual ele foi indiciado por associação para o tráfico de drogas. "Não sou traficante, vivo de música e estou presidente da Mangueira. Tenho 51 anos e faço música desde os 14", disse Meirelles, que não confirmou se vai concorrer à reeleição na Verde e Rosa.

Meirelles disse ainda que o Morro da Mangueira, na zona norte, vive uma "caça às bruxas" desde o assassinato de 2K. Segundo o músico, cerca de 20 pessoas que trabalharam com ele na escola de samba abandonaram suas casas, por medo de serem executadas.

Horas após a morte de 2K, duas pessoas ligadas à escola foram mortas: Jefferson Fernandes de Oliveira, de 21 anos, que era da bateria, e Alan Carlos da Silva Sílvio, de 24, que controlava o acesso aos camarotes. "Parece que na Mangueira há um pensamento de que eu estou por trás da morte do 2K e estão fazendo caça às bruxas. Esse rapaz (Alan) foi um bode expiatório. São muitas vidas que não estão podendo voltar para casa por causa desse achismo. Não sou bandido."

Perguntado pelo repórter do Estado sobre a investigação do Ministério Público Federal que apura denúncias de irregularidades no suposto repasse de R$ 4,9 milhões do Ministério da Cultura (MinC) ao desfile da Mangueira em 2012, Meirelles se irritou: "A gente não podia receber dinheiro federal porque a escola estava inadimplente com a Lei Rouanet. Se a Mangueira não recebeu verba federal, a gente não podia pagar propina para ninguém do Ministério da Cultura." Segundo a polícia, em conversa telefônica Meirelles teria comentado que um alto funcionário do ministério recebeu propina para liberar o repasse. O MinC diz que não deu o dinheiro.

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