Presidente do Hopi Hari é indiciado por morte de jovem

Gabriella Nichimura, de 14 anos, caiu do brinquedo La Tour Eiffel, no dia 24 de fevereiro

Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

17 Abril 2012 | 20h02

SÃO PAULO - A Polícia Civil indiciou nesta terça-feira, 17, por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) 11 pessoas, entre elas o presidente, o vice-presidente e o gerente-geral de manutenção do Parque Hopi Hari, em Vinhedo, no interior de São Paulo, pela morte da adolescente Gabriella Nichimura, de 14 anos. A jovem caiu do brinquedo La Tour Eiffel, no dia 24 de fevereiro.

O delegado Álvaro Santucci Noventa Júnior concluiu que "uma série de erros e negligências" praticados por funcionários e pela diretoria do parque provocaram a tragédia. A cadeira usada pela jovem estava com a trava desativada, o que a fez cair de uma altura de aproximadamente 20 metros. A pena prevista para o crime é de 1 a 3 anos de prisão.

"Todos são responsáveis e estão sendo indiciados no artigo 121, parágrafo terceiro do Código Penal (homicídio doloso), cada qual na medida da sua culpabilidade", afirmou o delegado que vai encaminhar o caso para a Justiça e ao Ministério Público Estadual para oferecimento de denúncia na próxima semana.

Nas palavras do delegado, os funcionários do parque foram "negligentes, relapsos, displicentes e imprudentes" na manutenção do equipamento e cometeram uma série de erros que resultaram na morte de Gabriella.

A família da jovem, do Japão, divulgou nota agradecendo o trabalho da Polícia Civil e dos promotores de Justiça Rogério Sanches e Ana Beatriz Sampaio Silva Vieira e o indiciamento dos supostos responsáveis.

"O indiciamento destas pessoas não irá fazer com que esqueçamos o pesadelo que estamos vivenciando, mas a Justiça irá demonstrar que os responsáveis não ficarão impunes e suas consciências carregarão para a eternidade a responsabilidade pela morte de nossa filha", informa a nota.

Culpabilidade. O delegado de Vinhedo afirmou que "o peso maior" na culpa dos indiciados recai sobre os funcionários que estavam diretamente envolvidos na operação do brinquedo La Tour Eiffel, mas não descartou a responsabilidade da diretoria do parque.

Segundo o delegado, a perícia comprovou que um dia antes do acidente o pino que segurava a trava do banco onde estava a jovem foi retirada, reforçando a culpa dos quatro operadores que trabalham diretamente no brinquedo: Vitor Igor Spinocci de Oliveira, Marcos Tomaz Leal, Edson da Silva e Lucas Martins Figueiredo.

Foram indiciados ainda os funcionários Juliano Ambrósio, Rodolfo de Aguiar Santos, Adriano César Augusto e Luiz Carlos Pereira de Souza. O presidente do Hopi Hari, Armando Pereira Filho, o vice-presidente, Cláudio Luiz Pinheiro Guimarães, e o gerente geral de manutenção e projetos, Stefan Fridolin Banholzer, foram indiciados por homicídio culposo porque não zelaram pela segurança devida no uso do equipamento. O delegado usou o artigo 63 do Código de Defesa do Consumidor, que determina que é obrigatória a afixação de alertas sobre a periculosidade de equipamentos como o brinquedo La Tour Eiffel.

Segundo ele, os dirigentes do parque foram displicentes, desleixados e negligentes ao acreditar que "apenas o colete travado impediria que alguém sentasse no assento não operacional".

Parque. Em nota, o parque ressaltou que o indiciamento "é um ato provisório da autoridade policial que não significa condenação". Segundo o advogado Alberto Zacharias Toron, o indiciamento dos diretores e do gerente geral é "absurda". "O próprio delegado reconhece que a causa central foi um descuido e a negligência de outros funcionários. Sem essa omissão, a falha não teria ocorrido."

O vice-presidente do Hopi Hari lembrou que há 10 anos o equipamento funciona, sem outros acidentes. Por nota, o parque lembra que durante o último mês, o parque passou por vistorias e avaliações técnicas rigorosas, de diversos órgãos, como Ministério Público Estadual e Ministério Público do Trabalho.

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