Caio do Valle/AE
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Presidente de sindicato é chamado para depor; entidade pedirá segurança à PM

Jorginho, que tenta a reeleição, estava no sindicato na hora em que o prédio foi alvejado por tiros, na última quarta-feira

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

12 Julho 2013 | 13h32

SÃO PAULO -  O presidente do sindicato dos motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo (Sindmotoristas), Isao Hosogi, o Jorginho, será oficiado pela Polícia Civil para prestar depoimento na tarde desta sexta-feira, 12, sobre o tiroteio em frente à sede da entidade, que resultou em dez pessoas feridas, uma gravemente.

O episódio ocorreu na noite de quarta-feira, 10, e envolveu opositores de Jorginho, descontentes com a forma como a entidade vinha conduzindo a eleição para a presidência do sindicato. Paus, pedras e lixo foram arremessados contra a fachada da sede do Sindmotoristas, na Rua Pirapitingui, na região central. Além disso, foram disparados ao menos 30 tiros, segundo testemunhas.

De acordo com a polícia, os disparos teriam partido de fora e também de dentro do prédio da entidade. No momento da confusão, Jorginho e outros diretores do sindicato estavam no interior do edifício, preparando a remessa das urnas para as 32 garagens de empresas de ônibus, a fim de que cerca de 29 mil funcionários do setor pudessem votar.

A eleição estava programada para ocorrer na quinta e hoje, mas foi adiada para os dias 25 e 26 de julho por causa do tumulto.

Na manhã desta sexta, em coletiva para a imprensa, Jorginho afirmou que expedirá ofícios para o secretário estadual da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, para o Comando Geral da Polícia Militar, para o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, para o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pedindo "segurança e integridade física" dos membros da categoria nos dias da eleição. O objetivo é coibir o que ocorreu na quarta-feira.

"A eleição tem que acontecer, porque o mandato desta diretoria está acabando. A comissão eleitoral está pedindo, está implorando para as autoridades estarem presentes neste pleito", afirmou Jorginho.

Ele atacou a chapa contrária à sua, encabeçada pelo atual secretário de finanças, José Valdevan de Jesus Santos, o Noventa, que esteve presente na frente do sindicato no dia do tiroteio. "Eles não querem que o pleito aconteça neste momento", disse Jorginho, acrescentando que seus opositores entraram com 15 ações na Justiça para tentar anular as eleições, todas indeferidas.

A chapa de oposição foi a responsável por bloquear 16 terminais de ônibus na manhã de quarta-feira, afetando 750 mil pessoas. Os organizadores disseram que não havia ligação entre o ato e a eleição sindical, embora um carro de som com a foto e o slogan do candidato Valdevan Noventa estivesse na saída do Terminal Parque D. Pedro II, no centro. Além disso, vários manifestantes usavam camisetas alusivas a ele.

Policiais. O secretário-geral do sindicato, Edivaldo Santiago Silva, que já foi aliado de Jorginho, também integra a chapa adversária. Na quinta, ele acusou Jorginho de empregar policiais na segurança da entidade. "A máquina do sindicato está sendo usada de forma indevida. Há policiais armados lá dentro, sendo pagos com o dinheiro dos associados", disse Silva.

Na coletiva, Jorginho rebateu e disse que emprega policiais militares (dois na ativa) apenas como guarda-costas pessoais. Ele afirmou ainda que um policial civil esteve presente no sindicato no momento dos disparos e que não sabe se ele atirou também. "A Polícia Civil não foi contatada pelo sindicato para fazer qualquer tipo de serviço. Eu quero deixar bem claro."

Jorginho diz desconhecer a versão de que houve tiros disparados de dentro do sindicato. "Eu não posso falar uma coisa que não vi. Para mim, os tiros que foram alvejados, está aí a câmera (de vigilância) para mostrar, vieram de fora para dentro. Teve tiros até no teto da entidade, mais de 20 tiros."

O presidente, que está no cargo desde 2004 e que tenta se manter no posto por mais cinco anos, disse ter medo de ser morto e que, por isso, não pode contar tudo o que sabe sobre os bastidores do sindicato. Ele pede para ser ouvido pelas Polícias Civil e Federal sobre o assunto.

O depoimento desta sexta à Polícia Civil está previsto para ocorrer no 5.º Distrito Policial (Aclimação), na zona sul, responsável pela investigação do caso.

Noventa, seu opositor, já foi ouvido pelos policiais. Ele afirmou que saiu da frente do sindicato no momento em que a confusão começou.

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