Presidente da Sabesp diz que existem diferentes formas de medir perda de água

Segundo Dilma Pena, índice de desperdício varia conforme a 'métrica utilizada' na medição e empresa tem programa 'muito agressivo' de redução de perdas

Caio do Valle e Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

18 Fevereiro 2014 | 12h25

SÃO PAULO - A presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Dilma Pena, disse nesta terça-feira, 18, que existem diferentes formas de medir o volume de água desperdiçada na distribuição aos consumidores e que a empresa tem um programa "muito agressivo" de redução de perdas. Segundo ela, porém, é "muito complicado" diminuir o índice de água perdida no trajeto da represa até a caixa d'água dos imóveis.  

Reportagem publicada pelo Estado nesta terça mostra que as perdas efetivas de água em 2013 atingiram 31,2% sobre o volume produzido pela Sabesp. A companhia, contudo, divulga que o índice foi de 24,4%. A diferença ocorre porque a Sabesp compara a produção total com o volume de água pago pelos consumidores, que é maior do que o volume realmente consumido, já que cerca de 35% dos usuários pagam uma tarifa mínima de R$ 16,82 por até 10 mil litros por mês mesmo tendo gasto uma quantidade menor.

"Todo sistema de abastecimento de água no mundo inteiro tem algum tipo de vazamento. Existem métricas, formas, metodologias de medir esse vazamento. Então, você pode calcular a perda pelo micromedido e, nesse caso, você não calcula tudo o que é consumido, por exemplo, em áreas irregulares, favelas. Tudo isso não entra na perda, mas reflete na produção", disse Dilma Pena.

"E tem outra forma de medir, que é a forma que a Sabesp publica no balanço, que é por faturamento. Então, quanto que a Sabesp produz e quanto que ela fatura de água. Aí estão embutidos também um porcentual de perdas físicas, em torno de 15 a 16%", completou a presidente da companhia. Ela destacou que a Região Metropolitana de São Paulo e a Baixada Santista "ainda têm muitas áreas irregulares" e que isso interfere na medição das perdas.

"Então, dependendo da métrica, você tem resultados diferentes. Se eu meço aqui a temperatura em graus centígrados, devo estar com 26 graus centígrados. Se meço em Fahrenheit, eu devo estar com 110 graus", disse Dilma. Segundo ela, a Sabesp tem um programa de redução de perdas "muito agressivo" com uma programação de financiamento já contratada de R$ 4 bilhões e que é "muito complicado" reduzir perdas.

"Passar de 35 (%) para 28 (%) é muito simples e gasta pouco dinheiro. Passar de 28 (%) para o que nós queremos, em torno de 18 (%) até o final da década é muita tecnologia e muito dinheiro, principalmente considerando um padrão urbanístico tão irregular e tão difícil como é aqui na Região Metropolitana de São Paulo", concluiu a presidente da Sabesp.

Mais conteúdo sobre:
Sabesp água Dilma Pena

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.