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Presidente da Sabesp diz que estuda alterar tarifa mínima de água

Hoje, quem consome 500 litros ou 10 mil litros paga R$ 41,28; para Jerson Kelman, essa lógica não incentiva a economia no consumo

Dayanne Sousa, O Estado de S. Paulo

04 de agosto de 2015 | 15h06

O presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Jerson Kelman, disse nesta terça-feira, 4, que estuda alterar a tarifa mínima de água cobrada pela empresa. Hoje, quem consome 500 litros ou 10 mil litros (metros cúbicos) no mês paga o valor mínimo de R$ 41,28. Para ele, essa lógica não incentiva a economia no consumo.

"Dizer que até 10 metros cúbicos [por mês] a conta de água tem o mesmo valor é um contrassenso. Melhor seria se a gente tivesse uma tarifa binômia. Um custo de conexão e outro algo variável para consumo", disse Kelman, durante a abertura do Congresso Nacional de Saneamento e Meio Ambiente, na capital paulista. Somente a partir de 11 metros cúbicos é que a cobrança é feita por cada metro cúbico consumido, em faixas de 11 a 20 m³/mês, 21 a 50 e acima de 50 m³/mês.

Segundo Kelman, o fim da tarifa mínima está sendo estudado para uma revisão do modelo tarifário praticado no setor, que a Sabesp deverá apresentar à Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo (Arsesp). Ele disse que a companhia já recebeu no passado verba do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para desenvolver estudos sobre novos modelos. "É nossa obrigação fazer proposta para a Arsesp sobre modelo que melhor se adeque à nossa área de exploração. Acredito que em alguns meses bateremos o martelo em alguma proposta concreta", afirmou.

Kelman também já havia defendido para uma futura revisão a separação da cobrança de água e esgoto. Hoje, a tarifa de esgoto é cobrada sobre o mesmo volume de água consumida pelo cliente.

O executivo ainda falou sobre os investimentos em tratamento de esgoto. Questionado pela plateia sobre a redução dos investimentos da companhia nessa área, Kelman afirmou que a empresa "teve que colocar o pé no acelerador em tarefas emergenciais e, com o orçamento limitado, teve que desacelerar outros investimentos". "É evidente que não vai passar pela cabeça de ninguém descontinuar programas de saneamento", declarou.

Outro tema destacado pelo executivo tem relação com contratos de programas junto a municípios. Ele avaliou que a companhia precisa discutir a elaboração de contratos pela frente de forma a reduzir "extravagâncias". Embora não tenha dado mais detalhes, ele afirmou que é correto a Sabesp ter a intenção de atuar no maior número possível de municípios, embora não deva fazer isso "a todo custo".

Ao falar em "extravagância", Kelman citou um exemplo hipotético de tratamento terciário de esgoto numa cidade onde a coleta de esgoto não está completada. "É preciso ter uma lógica de hierarquia de investimento, não é possível fazer todos os investimentos em saneamento de uma só vez", acrescentou.

O executivo também levantou ainda o tema da compensação ambiental. Ele defendeu que companhias de saneamento não deveriam pagá-la porque os recursos seriam utilizados na missão ambiental própria do negócio, que é o tratamento de água e esgoto. "Eu fico indignado com a ideia de que empresa de saneamento pague compensação ambiental. Tratar esgoto é uma missão ambiental e desviar recursos dessa missão para qualquer objetivo, por mais nobre que seja, não faz sentido", completou. / COLABOROU FABIO LEITE

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