Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Presidente da Sabesp descarta rodízio de água em SP neste ano

Jerson Kelman fez declaração durante CPI da Câmara Municipal; executivo se esquivou de perguntas espinhosas de vereadores

Bruno Ribeiro e Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

13 Maio 2015 | 12h02

Atualizada às 21h20
SÃO PAULO - O presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Jerson Kelman, voltou nesta quarta-feira, 13, a descartar a necessidade de implementar neste ano o rodízio no abastecimento de água na Grande São Paulo. A empresa admite que, se o racionamento drástico tiver de ser adotado, será inviável manter o fornecimento ininterrupto para escolas, clínicas, ambulatórios, centros de acolhida e albergues, mesmo com caminhão-pipa.
“Não temos nenhuma previsão de implementar o rodízio em 2015”, disse Kelman durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Sabesp, na Câmara Municipal de São Paulo. Aos vereadores, ele repetiu que a hipótese está descartada mesmo se a estiagem no Sistema Cantareira for até 20% pior do que em 2014, desde que as obras emergenciais, como a transposição da Billings para o Sistema Alto Tietê, fiquem prontas dentro do prazo e que a população continue economizando água.
Kelman afirmou que, mesmo acreditando que o rodízio não será necessário, é preciso se preparar para o pior. “A situação é como as nuvens, sempre muda”, disse. Conforme o Estado noticiou na semana passada, o plano de contingência que está sendo elaborado pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) prevê, no seu pior cenário, a implementação de um rodízio de cinco dias sem água e dois com, restrito à região do Cantareira, que ainda abastece 5,4 milhões de pessoas na Grande São Paulo.

Questionado sobre qual seria o gatilho que acionaria o rodízio, Kelman disse depender de uma série de fatores e não apenas do nível de armazenamento do Cantareira. Em fevereiro, assessores de Alckmin afirmaram que o governo divulgaria um índice que serviria como gatilho oficial do rodízio. À época, o manancial havia atingido -23,3% da capacidade, ou 5%, considerando as duas cotas do volume morto, o pior índice da história.
Estratégia. Caso o racionamento drástico seja adotado, a Sabesp diz garantir o abastecimento ininterrupto apenas em hospitais (são 1.152 na Grande São Paulo), presídios e centros de internação (310) e de hemodiálise (116). Em 461 locais, estão sendo construídas redes exclusivas de abastecimento, como no Hospital das Clínicas, o maior da América Latina, onde seriam necessários 300 caminhões-pipa por dia para manter o atendimento. Até março, 328 pontos já haviam sido equacionados.
Segundo a Sabesp, outros pontos considerados críticos, como escolas (são 4.562), ambulatórios, albergues e até a Bolsa de Valores, “infelizmente não há viabilidade técnica para manter o abastecimento individual e de forma ininterrupta” nem com caminhão-pipa. Só para as 2,3 mil escolas públicas na capital, afirma, seria necessária uma frota de 700 veículos fazendo 7 mil viagens por dia.

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