Presidente da Opep diz que crise manterá petróleo em baixa

Ainda assim, o argelino Chakib Khelil não descarta alta de preços se a moeda americana se desvalorizar

EFE,

02 de novembro de 2008 | 17h26

O ministro da Energia argelino e presidente em exercício da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Chakib Khelil, disse neste domingo que os preços da commodity podem continuar sua tendência de baixa caso persista a crise financeira e o dólar não se recupere frente a outras divisas.   Veja também: Crise financeira é sistêmica e ninguém escapará, diz Mantega Veja os reflexos da crise financeira em todo o mundo Veja os primeiros indicadores da crise financeira no Brasil Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise      "Tudo depende da situação econômica mundial. Caso continue se deteriorando fica claro que a demanda de petróleo percebida pelo mercado diminuirá, o que manterá a tendência de baixa", disse Khelil em declarações a uma rádio argelina.   No entanto, o ministro não descartou que o preço do petróleo, estabelecido em dólares, possa voltar a subir "se a moeda americana se debilitar em relação a outras".   "É o impacto de todos estes elementos o que vai decidir o preço do petróleo" a curto prazo, assinalou.   Em todo caso, o presidente da Opep previu que os preços se recuperarão em dois ou três anos "já que há um desinvestimento e muitos projetos (no setor petrolífero) foram suspensos".   Segundo ele, a decisão da Opep adotada na última reunião de Viena de cortar a produção "vai precisar de muito tempo para ter seus efeitos" sobre o preço do petróleo, já que o mercado não integrou ainda a redução da oferta.   Khelil explicou que vários países, entre eles Argélia, Emirados Árabes, Irã e Nigéria anunciaram já o corte de sua produção e que se espera que os demais membros da Opep informem a seus clientes "para avaliar o impacto no mercado da decisão adotada em Viena".  Ele disse que os mercados estão esperando os cortes acertados em Viena, no mês passado, e afirmou que a Arábia Saudita, o maior exportador de petróleo do mundo, tem um papel fundamental para o sucesso da decisão.   "É isso que os mercados esperam agora: ver que realmente há uma redução no mercado e não levar em conta apenas as declarações das diferentes pessoas envolvidas. É o que se vê no mercado que afetará os preços", afirmou Khelil.   A decisão do cartel de cortar a produção em 1,5 milhão de barris por dia - o que representa cerca de 5% - foi tomada no dia 24 de outubro, como uma forma de controlar a queda nos preços de petróleo.   A Opep espera que a medida estabilize o preço do barril entre US$ 70 e US$ 80, mas a decisão foi criticada por vários líderes, incluindo o premiê britânico, Gordon Brown, que está fazendo um tour pelo Golfo Pérsico.   Brown voltou a pedir um mercado de petróleo mais estável, neste domingo, falando da necessidade de "uma transição sustentável para uma economia com emissões de carbono reduzidas".   O ministro da Energia do Catar, Abdullah bin Hamad al-Attiyah, rejeitou as críticas ao corte na produção, dizendo que há muito petróleo que não está sendo vendido por causa da situação econômica internacional.   (Com BBC)

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